Sunday, September 30, 2007



todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
tem gente que chega pra ficar
tem gente que vai pra nunca mais...

- as vezes me sinto assim, numa confusa estação de metro. cercada por caras estranhas, vultos sinistros, rostos ameaçadores. Como um texto de terror... E ali num canto uma bruxa me espreita com um punhal. Traiçoeira, me apunhala pelas costas. Mas, não sei porque, eu sobrevivo.

Talvez seja porque os maus são duros na queda e eu nunca falei que era boazinha...

Publicação simultanea com o blog FALANDO NA LATA

Monday, September 24, 2007

Todos os homens de Copacabana

Fátima Dannemann

Daniel é o cara honesto, decente, que se fez por seus próprios méritos, tão bom caráter que prefere ficar desempregado a ceder a princípios que ele não concorda. Olavo é o oposto. Puxa-saco, do tipo que quer subir de qualquer jeito, o que ama o poder mais do que a própria vida, é capaz de tudo para ficar por cima. Antenor é o chefe que a todo momento alega as dificuldades que passou na vida como forma de justificar truculência e maus modos. Basta falar sobre o trio de protagonistas para sentir que há algo diferente no reino de Copacabana. Pelo menos na Copacabana retratada nos últimos meses em Paraíso Tropical, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, no horário das 20h na Globo.
Essa foi uma história de homens. Chefes, subalternos, executivos, empregados, estudantes, empreendedores, marginais, escroques, bon-vivants, mas principalmente homens com todos os seus pensamentos, sentimentos, afirmações e contradições. Homens que choraram, riram, amaram, odiaram, traíram, mataram, mas que levaram a vida com mais intensidade do que as protagonistas femininas. Foi diferente, por exemplo, de Celebridade, do mesmo Gilberto Braga, em que duas mulheres disputaram o amor e o poder até os últimos momentos (Maria Clara e Laura). Foi diferente, também, de Senhora do Destino, onde a Maria do Carmo de Suzana Vieira deu as cartas do primeiro ao último capítulo. Essa foi uma história de homens. Se não para eles, mas sobre eles.
Talvez porque os homens estejam mudando. Não são mais as figuras que amedrontam mas os seres humanos que não tem vergonha de serem homens e serem felizes. Sim, porque sempre pareceu – pelo menos nas novelas – que a busca por amor, afirmação pessoal, equilíbrio emocional foi uma prerrogativa das mulheres. Ai, o mais machão da história, o Antenor Cavalcante vivido por Toni Ramos, aparece chorando abraçado ao pai Belisário (Hugo Carvana) sem ter vergonha de se mostrar frágil, sensível e até arrependido das inúmeras besteiras que andou fazendo como contratar Tais para separar Paula e Daniel ou demitir a ex-amante Fabiana. Ele corre atrás de Lucia, pede perdão, implora que ela volte para ele, coisas que, qualquer pessoa diria, seria exclusivo de “mulherzinhas” em folhetins do passado.
Paraíso Tropical é na verdade um emaranhado de clichês sem nada de novo. Já houve outras histórias de gêmeas más e gêmeas boazinhas, de assassinatos em série, de promoters pouco honestas, de menininhas que casam com ricaços por imposição da mãe ou mesmo para salvar o emprego dos pais. E outras novelas já tiveram inúmeras cenas na praia (de Copacabana ou do Nordeste, o Oceano Atlântico é exatamente o mesmo). Mas mudou o ponto de vista. Olavo, por exemplo, poderia ter um nome de mulher. Poderia ser Mariana, Quitéria, Isabel ou qualquer outro. É aquela pessoa que puxa o saco do chefe e quer derrubar todo mundo na tentativa de chegar ao topo. Mas foi Olavo. O que chorou de frustração quando alguém lhe disse “você pode ter tudo, Olavo, mas nunca terá o amor das pessoas porque você é amargo por dentro”.
Pois é. Os homens choraram em Paraíso Tropical. De ódio, como Olavo, arrependidos como Antenor, de frustração, como o joalheiro Evaldo vítima das tramóias de Tais. Emocionados apenas, como Daniel. Choraram, mas nem por isso foram menos homens, independente de serem bons ou maus. Paraíso Tropical foi uma história de homens. Pode ser que tudo caia no esquecimento. Mas alguma coisa mudou. Rodrigo e Tiago apareceram abraçados, assumiram que são casados. Heitor mostrou que não é preciso um bom emprego para ser feliz, mas seguir seus sonhos acima de tudo. E foi cozinhar. Coisa de mulher em outras novelas. Mas a coisa mudou. Os meninos foram à luta. Cássio resolveu vender um restaurante somente para aproveitar a vida “senão não vale a pena ter dinheiro”. Mateus resolveu ganhar mais do que a mesada dos pais. Alguns foram pro crime. Outros não saíram da sarjeta. E outros gastaram sua massa encefálica bolando planos para derrubar as outras pessoas. Acontece. Bons, ruins, aplaudidos pela crítica ou vaiados pelo público. Os homens dominaram a novela das nove. Talvez porque eles também assumem que assistam novelas. Ou então...

Tuesday, August 28, 2007

Um video sobre varsóvia



para onde você viajaria se quisesse esnobar ou ser diferente

Tahiti

Islandia com um cruzeiro pelo Circulo Polar Artico

Paris e Londres

Deserto de Atacama

China

Arzebaijão e Turquia

Tailandia e Indochina

Escandinavia e Russia

pela rota do orient express

Las Vegas

Quenia ou Tanzania na Africa

Cachoeira, Lençois ou porto Seguro

Espanha

Japão

Ilhas Malvinas












Thursday, August 23, 2007

besteirol que a gente ouve por ai

Fatima Dannemann

Tava almoçando e pensando umas coisas, vejam só.

A gente liga para alguem. Mas esse alguem não está. A pessoa que atende, geralmente secretárias, respondem:
- Dr Fulano não se encontra
Dá vontade de responder: "Tadinho, ele está perdido, sem eira nem beira, não se encontra? Chamou o psiquiatra?"

Outra, a gente ouve no telefone "você me retorna a ligação..."
pensei numa cena bizarra. O cara desliga o telefone. passa um tempo toca a campainha... dlin, dlooooooon
aparece um panaca com um telefone na mão: "olha aqui a ligação que você pediu para retornar, mas eu acho que roubaram o fio no ônibus"

Ligamos para o suporte do Velox ou para outro setor de reclamações de qualquer outra empresa:
- deseja alguma reclamação?
(essa eu falei): "não, liguei para perguntar como vai sua mãe"...

numa loja tipo a Zara (metida a besta, cara mas com mais pose e fama do que merece), com produtos na mão, indo para o caixa:
- você deseja comprar alguma coisa?
(me perguntaram mesmo... deixei sem resposta)...

outra: dá para fechar a porta por causa do cachorro
a empregada do primeiro andar: ele não morde não
de novo: dá para fechar a porta por causa do cachorro
a empregada: ele não morde não
na terceira: anta, eu não perguntei se ele morde...
ela: ce quer que feche a porta, é?
(aconteceu mesmo, no primeiro andar onde tem um poodle insuportável e que morde mesmo)

- tem shampoo pra cabelo bonito?
- não, mas tem pra ponta ressecada
- eu quero um shampoo para cabelo bonito, normal, que não precise nada?
- ah, pra frizz? ou para chapinha?
- anta, eu por acaso dou chapinha no cabelo?
- ah, seu cabelo é bom assim mesmo, é? (de novo, aconteceu mesmo, no Shopping Salvador, quando acaba - culpa das peruas que vivem fazendo escova progressiva. quem não faz nada, como eu, sofre: ninguem acredita)


quem quiser enriquecer a lista,
esteja a vontade

Thursday, August 16, 2007

Um babaca chamado Anonimo


Desde que inventaram a Internet, muita gente tem se aproveitado da "invisibilidade" para atacar as outras pessoas. Ou usam nicks, ou simplesmente entram como "anônimo" e escrevem besteiras como se fosse um adolescente despeitado em um trote telefonico.

Essa semana, um dos meus albuns do Fotki recebeu uma visita de uma dessas criaturas. Na falta de ter o que fazer, o burro - sim, além de covarde o anonimo é também burro - ainda me jogou praga.

Tudo porque - e esta é a razão pela qual o anonimo é uma anta - não acertou a deixar um comentário e me pedir a tag que eu ofereci esta semana.

Azar dele: porque a essa altura do campeonato, eu já pedi que a vida retribua a ele tudo o que ele me desejar de bom ou ruim...

Fatima Dannemann

Thursday, August 09, 2007



Negócio da China!!!

China ou Japão, não sei. Mas mostra a paciencia e a criatividade dos orientais: recortar flores em formato de cachorrinhos.
Bouquet digno de Zé Guimba


Surf no Porto da Barra

Recebi as fotos via e-mail essa é apenas uma delas.
Uma das praias mais calmas de Salvador virou o Havai
ou quem sabe Canal da Mancha...
PÓS-TUDO (E MAIS ALGUMA COISA)

Fatima Dannemann *


Nana Caymmi canta Sábado em Copacabana numa novela de televisão. A Internet anuncia e mostra foto de duas mil pessoas protestando nas mesmas areias da praia que Nana diz no velho samba-canção ter esperado uma semana para conhecer. Em São Paulo, A perícia continua investigando a identidade dos mortos do avião da Tam. Outra cantora, mais ousada, longe da mídia, diz que “Copacabana não me engana, não/ Copacabana é uma ilusão de fim de semana”. Na Bahia, a ressaca e ventos violentos de 30 km/h arrebentam o clube mais chic da cidade. Longe das praias, das músicas, a população do Rio chora as vitimas das eternas balas perdidas e pede que o aparato policial montado para o Pan continue pelo menos por uns tempos.

Esse é o retrato do país pós-pan, pós-tempestade, pós-morte de ACM, o último coronel do norte que se foi desta para uma melhor sem ver duas coisas que ele talvez gostasse de ter visto: Lula vaiado no Maracanã, Waldir Pires demitido do ministério. Mas até isso passou. Botaram a culpa nos pilotos do avião que caiu em Congonhas, implodiram o prédio atingido e, daqui há alguns anos, restarão lembranças. Nana Caymmi segue cantando na novela num cinco estrelas de cenário para uma platéia que mistura personagens do folhetim com personagens da revista Caras e mais alguns artistas. A essa altura, os Jogos Panamericanos ficaram para trás. Lula não foi receber as vaias que sobraram para o prefeito e o governador do Rio. Nem veio enterrar ACM, mandou o vice. Preferiu ir ver a neta dançando em Joinville.

Sim, está nas revistas chiques, vovô Lula vendo a netinha, gorducha e barriguda, dançando no festival de ballet mais importante do país. Na mesma revista que mostra o casamento da filha de Alckmin, que concorreu com o presidente nas ultimas eleições. Uma festa tucana, cheia de empresários, globais, globetes e até uma ilustre ex-detenta: a dona de uma famosa boutique de luxo, trancafiada por duas vezes como sonegadora de imposto. A imagem nesse pós-prisão é melancólica: vê-se uma senhora de meia idade gorda, mal arrumada, mal penteada e com um vestido que até pode ter custado caro, mas não lhe assentou bem. Passou...

Passou mesmo. Ninguém precisa mais de convite para entrar em certos lugares ditos exclusivos. E senhoras dita colunáveis são vistas em camelódromos comprando imitações. Quem vai dizer que não? “Londres”, diz uma esnobe, “nunca mais me vê. Achei aquele aeroporto o fim da picada”. Pobre esnobe que nem sabe que enquanto Nana Caymmi emenda uma música com a Rosa Morena de seu próprio pai (Dorival), uma perua fictícia lá da novela diz que “in mesmo é Reikjavik, na Islândia, civilizadíssima”. Não! Decididamente muita gente tirou o avião de seus planos depois do acidente em Congonhas. “Vou de navio”. Se não der? Fico em casa e vejo o mundo pela janela.

Só que em terra de bala perdida quem fica em janela tem instinto suicida. Melhor fazer que nem Daiane dos Santos, dar uma desculpa e ficar livre do vexame. Já chegam os micos que todos os brasileiros pagam nesse Brasil do pós tudo. Já chegam os baianos verem a Fonte Nova depedrada e descartada caso o Brasil venha a sediar alguma copa do mundo. Já chegam outras incertezas e a cara de pau de colocar a culpa do acidente de avião nos pilotos só porque, a essa altura do campeonato, não há defesa. E vamos continuar vivendo, sim, porque mesmo tendo passado o Pan, o acidente, ACM, e até a novela das oito já esteja além da metade, a vida continua. É a alface que sobe no supermercado tornando a salada que o médico recomenda simplesmente inviável. É o refrigerante que torna seu lanchinho mais caro do que um jantar no japonês mais próximo. São as ondas e os ventos que cedem lugar ao sol. Ainda bem, porque depois de tanto rolo é preciso um refresco.

Saturday, August 04, 2007

Gente, parece mentira, mas a Telemar me "ama"...
Descobri uma coisa esquisita: liga alguem de lá, eu não aceito as "ofertas", nem os "planos", a Internet ou o Telefone ou AMBOS quebram de uma hora pra outra.

Pior que nem recorrer a Lucia, assessora e nossa colega, adianta. Há exatamente um mes fiquei lutando 15 dias contra uma linha cruzada e fiquei UMA SEMANA sem internet. Os caras só consertaram depois que eu fiquei ligando de 10 em 10 minutos tipo pra encher o saco e fazer pressão mesmo...

Ontem, ligou uma moça se dizendo da Oi e se dizendo "interessada em revelar planos para gastar menos com telefone". Eu disse que não queria saber, dispensei. Hoje, por "COINCIDENCIA" meu telefone ficou mudo de uma hora pra outra e COISA BASTANTE ESQUISITA: continuo conectada (deve ser milagre de meus anjos, mas eu não vou desligar o PC hoje, não)...

Já reclamei via e-mail mesmo, o que eu sei que não vai adiantar nada, mas INFELIZMENTE SE RECLAMAR NA ANATEL É PIOR: AI QUE A TELEMAR SACANEIA... Já senti isso na pele. Reclamei uma vez na Anatel, o tecnico veio aqui, desligou meu telefone alegando que era "pra fazer testes", se picou, me fez eu sair correndo que nem doida pra mandar ele ligar de novo e ele muito ironico falou "vá reclamar de novo na Anatel pra ver uma coisa...".
Infelizmente isso é Brasil e do PT...

Tou denunciando aqui pois é tudo o que me resta. Reclamar, não adianta. Nem via telefone, nem via e-mail. Já basta tudo o que eu não tenho em minha vida e ainda preciso me apurrinhar com telefone.

Fatima Dannemann

Friday, August 03, 2007


Tempestade em Salvador
quase uma tsunami no yate
quem duvidar, assista o video
enviado para o Youtube por
Mateus Tavares

Basta clicar AQUI

Wednesday, August 01, 2007



Monte de notas soltas

1 - todo mundo estranhou a Globo não ter transmitido o encerramento do pan. Bom, vai ver ela achou melhor não interromper aquela cafonice chamada Domingão do Faustão.

2 - A cerimonia foi de bom gosto, mas o solzinho Kauê, eu acho, tornou a não aparecer. Seria o mascote uma invenção da Globo e não uma marca oficial?

3 - Ivete Sangalo não cantou no encerramento do pan. Nem Sandy e Junior, nem os dois filhos de Francisco, nem Xuxa, nem a Banda Calipso. Graças a Deus!!!

4 - Ratattouille, em meio a uma leva de filmes ruins, é o melhor da temporada. O desenho sobre um ratinho chef de cousine é simplesmente demais.

5 - Paraiso Tropical está irritante de tão fraca. Alô Globo. Se oriente. Está todo mundo mudando de canal.

Wednesday, July 25, 2007

ACM e o acidente da TAM lembraram essa cronica (escrita no ano passado)

TUDO PASSA (MAS QUANDO NÃO PASSA, EXORCIZA-SE)

Fatima Dannemann *


“Um rio que passou em minha vida”, diz a música. Rio ou oceano. Depende da intensidade. Ou um simples brejo daqueles que se atravessa a pé enquanto as piabas insistem em morder nosso sapato. Até as piabas passam e por mais que muitas incomodem elas passam. Vão, se perdem na correnteza da vida. Tchau e benção para os que chegam sem ser chamados, ou até os que vêm por engano, ou mesmo os que são convidados mas que... Ah, são piabinhas num rio. Incomodam, chateiam, mas juntem-se cem deles numa gamela que não dá meia moqueca e se der não passará de um tira-gosto meio indigesto mas ainda assim só um tira-gosto. E até o engasgo que as espinhas desses peixes provoquem há de passar. Rio ou oceano, piaba ou tubarão, tudo é tão passageiro que os budistas falam em impermanência e os estilistas inventaram a moda para justificar a efemeridade dos costumes.

Um rio... Um oceano... Vemos gente que gritava palavras de ordem sumirem nas esquinas e esquecerem o caminho de volta. Artistas novos que chegam prometendo ser a mais nova estrela do pedaço sumirem depois do final da novela. A top-model que inspirava bulimia nas meninas se perderem entre as brumas dos conselhos médicos e das denuncias da mídia que não quer mais magricelas de olheiras pretas servindo de cabide para modelitos de gosto duvidosos que serão apenas passado depois do desfile. Um rio que passou pela vida, ou a vida que é um rio desaguando no oceano que é um universo muito maior que o nhem-nhem-nhem dos sonhos e tramas dos humanos. O nirvana dos budistas, talvez. Ou o céu do resto do mundo. Maior e definitivo, sabe-se lá... Quem sabe a tal Passargada do poeta. Mas até poemas passam.

Sim, até poemas passam e muitos deles passam graças a Deus. Com esses versos toscos vão poetas que também passam, mas passam em branco como folhas de papel de um bloco não riscado. E passam músicas, modas, livros, nomes. Sim, nomes também voam, passam por nossos olhos e somem de vista como acontece quando se olham páginas de um catálogo de telefones. Nomes, endereços, números de telefones e de celulares, uins de icq, lugares da moda, coisas da moda. Num exercício de memória alguém resolve fazer uma lista: quem se lembra do uísque que se bebia aos litros nas festinhas nos tempos de dureza? Os tempos de dureza passaram. Alguém quer de volta a dureza de outros tempos, mas os duros daquele tempo amoleceram. Não, a vida passa. O rio corre em frente, não volta a nascente e ninguém se importa. Nem o rio, nem as piabas que insistem em mordiscar as pernas dos intrusos que atravessam os brejos a pé quando nem há sentido para pontes.

Foi-se o rio que passou por nossas vidas. Ou é o mesmo rio que continua ali passando, mas mudando sempre, pois cada dia a água se renova. Um rio que passou pela vida diz a música. Um velho samba enredo, mas até os sambas-enredo se modificaram. O rio passa, mas quem vê? Muitos nem notam. Não vêem que a modelo magricela que faturava horrores vende óculos para sobreviver. Ou que a atriz que estava na pior achou quem lhe estendesse a mão e voltou à cena. Ah, sim. A água do rio passa e limpa a sujeira. Conserta o que está errado. Alivia. Mudam-se os modos e as modas. Mas traz alívio. A enxurrada leva os males e as malas. O mal e os malas. Lava, leva os resíduos. Nem represas resistem quando força do rio cresce. Olham-se as piabas debatendo-se no turbilhão das cachoeiras e tem-se a certeza: muita delas já foram tarde. Nem lembrança deixaram porque... Ah, era um rio. Podia ser um oceano. Ai, as pequenas piabas mordiscantes poderiam ser tubarões. Mas... Nem todos são tão vorazes ou ferozes. E alguns até... Mas até tubarões passam. Vão para praias mais propicias. O que fica? Marcas de maré, cachoeiras, represas, lagos, recifes. Faróis e barcos... Ah, faróis e barcos porque luz é preciso (navegar? Alguém já falou isso antes... Nem frases se repetem. Não precisa...)... E tudo passa (mas quando não passar, exorciza-se).
A LOIRA DE LIVERPOOL

Fatima Dannemann *


Liverpool amanheceu ensolarada naquele domingo. Pelo menos teoricamente, era manhã. Lá pelas sete horas, quase isto, um pouco menos. Mas, ainda havia noite cerrada. Um grupo descia para o café da manhã no mesmo hotel onde o Liverpool, time de football, amargava a derrota contra outro time por algo próximo a 3x2, e uma moça descia o elevador ainda em trajes de noite. Tinha os olhos visivelmente vermelhos. Teria chorado?

Ela parecia decepcionada e não parava de tentar uma ligação telefônica de todos os aparelhos disponíveis no local.

— Será que ela caiu na mão dos hooligans?, cochichavam os amigos que tomavam o café boquiabertos de ver que a noite do Outono Inglês pode durar bem mais que um amanhecer tardio. E os resultados tanto poderiam ser deecpcionantes, como no caso da moça chorosa e que, alias, vestia uma jaqueta prateada, ou supreendentes, como no caso de duas morenas frajolas que desciam o elevador às gargalhadas justamente quando o grupo que acordava provava as toasts (torradas) com raspberry jam (a velha e boa geleia de framboesa, diga-se de passagem) de seu breakfast.

Para aquele grupo, a moçoila de jaqueta prateada, nervosa, doida para conseguir uma ligação, possível presa dos hooligans ou quase isto, parecia um personagem de filme de suspense.

— Seria a vítima ou a criminosa?, especulavam os comensais à mesa.

Era loira como as protagonistas dos filmes de Hitchcock. Estava visivelmente em crise.

— Foi por isso que Liverpool inspirou os Beatles. Por causa dessa vida desvairada.

Na porta da legendária cavern club, a boate onde os Beatles começaram sua carreira e que nem é mais a original, mas uma reconstrução mais que perfeita, garrafas quebradas, latas amassadas, copos plásticos, camisinhas usadas e outras coisas mais.

— Parece a Praça Castro Alves depois do carnaval.
— Cansada?
— Não, decadente e degradante, apenas com o lixo da festa e mais nada.

Liverpool inspira música não por seus muros de tijolo vermelho ou por suas casas idênticas, mas por seus ares de submundo.

O lixo no ponto histórico da cidade portuária inglesa parecendo o lixo legitimamente baiano. A moça loira da jaqueta prateada chorando as dores de amores fazem jus aos Beatles. A vida é louca como uma canção piscodélica e é sempre a mesma coisa, não importa o local. Acorda-se para ver o sol nascer em Liverpool, às 7 horas'. Não, não tem sol. É noite cerrada. Aqui tem sol. Mas ninguém tem tempo de reparar nesses detalhes. A moça loira chora ao telefone. As duas moças morenas riem frenéticas. Enquanto isto, outros tomam o café da manhã. E a vida, como um show, must go on and on and on...

Wednesday, July 18, 2007



Porque será?
Que só os americanos ricos vão para cidades como Abijan?


Esquisito: o mascote do Pan não apareceu na abertura dos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro, na ultima sexta-feira

Sobre a cerimônia: de modo geral foi bonita. Correta, sem as frescuras de sempre e com o pé na Bahia. Nota destoante: Elza Soares atropelando o Hino Nacional.

Miss Brasil carregando a bandeira? será que não tinha mais ninguem? como se deu a escolha? perguntas que não querem calar.

Esquisito: gente que faz tudo para aparecer sequer foi mencionado na cerimonia de abertura, uma delas é a baiana Ivete Sangalo.

Galvão Bueno, heim? Perdeu de vez o se mancol e anda falando besteira atrás de besteira nas ultimas transmissões esportivas.

Esquisito: portais de noticia internacionais vêm ignorando os Jogos Pan-Americanos. Nem parecem que duas superpotencias, Estados Unidos e Canadá, estão participando.

Alemanha no sufoco: em estados a margem do Reno, nesta semana, os termômetros acusaram mais de 30 graus... Efeito estufa.

Novelas vêm exagerando na dose de maldade explicita de seus personagens. Priscila Fantin está ruim demais em Sete Pecados (ruim a personagem, não a atriz).

Falando em ruim (dessa vez a atriz), colocar Maria Flor pra protagonizar uma novela como Eterna Magia é queimar a menina pra sempre. Perde de goleada até dos figurantes.

A Globo peca por não olhar além do próprio umbigo. Acha que pode enfiar qualquer novato como estrela... Já era, meu bem.

Boas falas: a Bandeirantes vai voltar a apresentar a Familia Dinossauro a partir de agosto. O telespectador, saudoso, agradece.

Friday, June 29, 2007

Sonhei que estava na Disneylândia

Fátima Dannemann

Folheio uma revista de turismo e lembro de alguns anos, quando a moda era ir aos Estados Unidos. Mais precisamente, a moda era a Florida, que não chega a ser toda a América, apenas um dos 50 estados norte-americanos. Mais precisamente ainda, a moda era ir aos parques de Orlando. Disney, Universal, Bush Gardens. Subiu o dólar, caíram as torres gêmeas. Bush, Osama Bin Laden e as dificuldades burocráticas se encarregaram do resto e hoje, penso, se tornou complicado conhecer o país do Mickey Mouse (sim porque a Disney é um mundo à parte).
Aqui onde moro, já não se vêem aqueles outdoors imensos que me davam vontade de me juntar à pirralhada que todo ano ia brincar na Splash Mountain ou morrer de medo nos Piratas do Caribe e depois voltar de lá com a mala cheia de quinquilharias – preciosas inutilidades que nos tempos de Collor eram objeto de consumo de dez entre dez candidatos a high society reprovados pela política econômica de Zélia Cardoso de Mello. Levar meninos à sua primeira viagem internacional deixou de ser a mais importante das metas das agências de viagem até porque hoje em dia, outro filão vem se mostrando mais vantajoso, os cruzeiros maritmos.
Mas, Disney é Disney e embora o Universal seja mais divertido, pisar o mesmo solo de Mickey, Minnie, Pato Donald e até de vilões como a Rainha de Copas e Malvina Cruela faz o delírio não só de crianças como até de adultos. E outro dia eu sonhei que estava lá. Uma Disney diferente, diga-se de passagem, pois não era nenhuma das três que eu conheci (sim, além da Florida, estive na Califórnia e em Paris. Advinhe onde?). E eu procurava “cadê Toontown? Cadê o castelo da Princesa?” No meu sonho, não havia a fantasia dos desenhos só a realidade de que hoje, apesar da economia brasileira estar melhor e mais estável, se tornou mais difícil viajar. Vistos, burocracia, o eterno jeito como o brasileiro é visto lá fora.
Pois é. Em Londres, andam barrando até inocentes estudantes brasileiros porque “pode ser um terrorista”. Poxa... Terrorismo no Brasil? Só se for o baixo salário, a falta de segurança, a falta de oportunidades de emprego, o racismo, o preconceito, as doenças infecto-contagiosas, inclusive a AIDS, que avançam de norte a sul do pais, as balas perdidas que atingem inocentes. Não, não somos Osama Bin Laden. Terroristas são os outros. Talvez os fantasmas que impedem a minha Disney dos sonhos de ser algum dos três parques que eu conheci e curti em três diferentes pontos do planeta.
O sonho tem algo de bonito e muito de angustiante: em volta do parque, uma praia deserta onde me dizem para não ir. “Perigoso”. Estacionamentos onde um carro corre o risco de ser perdido. Brinquedos esquisitos. Nem sombra do Mickey embora eu veja o ursinho Puff, “mas não é ele. É parecido”, me dizem, “engana”. E eu não quero enganos, quero certezas. Chego a conclusão que aquela Disney poderia ficar aqui mesmo na Bahia em qualquer boca-quente onde se entra por acaso e se sai por um golpe de sorte: a adrenalina da montanha russa é o medo de cair em mãos erradas. Não há trem fantasma porque quem precisa de trem fantasma se um ônibus é seqüestrado na esquina da sua casa?
E essa é a parte feia. O bonito é ver que o mar, ali, ainda é azul. Que na praia tem coqueiros, tem mato intocado, sem nenhum pivete escondido e pronto para atacar. Ah, e dá para ver peixes nadando. Essa talvez seja a fantasia: peixes nadando tão perto sem medo de serem pescados. O vendendor de água de côco lhe dá o troco sem reclamar, e o sorveteiro garante que o picolé não foi feito com água poluída. Sim, minha Disney podia ser logo ali, num lugar onde o faroeste seria caboclo com direito a guerra urbana que nenhum governante resolve, que ninguém acena com um tratado de paz. Mas era um parque que me fez lembrar que já faz tempo que eu fui a Disneylandia, um parque que me fez lembrar que todo ser humano precisa de um pouco de fantasia.

Wednesday, June 20, 2007

Faustão: Dança dos Famosos, comentários sobre a final

Não se sabe quem estava mais mascarado entre os jurados: Carlinhos de Jesus, Claudia Raia ou Fernanda Candido...

La Raia chegou a ser sonoramente vaiada quando deu nota baixa a Rodrigo Hilbert, queridinho do público e vencedor do concurso.

Elaine Mikeli parecia ser a favorita. Mas foi prejudicada pelos figurinos horriveis que lhe destinaram.

Tá... Ganhou porque acharam que devia ganhar, mas Rodrigo foi favorecido nos figurinos. Parecem ter caprichado mais.

Sergio Loroza, que foi darling do público até as semi finais, era apenas um figurante no cenário da finalissima. Quase não falou.
Novela Nova: primeiras impressões

- ainda não dá pra saber ao certo, mas Sete Pecados parece ser bem melhor do que Pé na Jaca

- Priscila Fantim pegou o jeito de Olga, de Chocolate com Pimenta, e não largou. Mas, como a novela é uma comédia, vá lá.

- Elizabeth Savala está ótima.

- Pura realidade: escola da periferia com alunos rebeldes e professores amedrontados... Será que Gabriela Duarte conserta?

Tuesday, June 12, 2007

Pé na jaca ou na paciencia?

Tem novelas que quando terminam a gente dá graças a deus. Assim foi o atual cartaz da globo. Eu tentei assistir Pé na Jaca... Carlos Lombardi sabe fazer boas comédias. Kubanacan, por exemplo, foi ótima. Mas, não consegui.
Motivos pra não assistir:

- Fernanda Lima... Podre e não tem o menor se mancol para ver que não agradou mesmo

- Debora Secco - po, ninguem sabe se é vilã ou mocinha e de qualquer jeito ela estava péssima

- Sergio Hondjakov - ressucitar o chato do Cabeção foi péssima ideia. ah, o personagem foi outro? mas a chatice é do ator.

- Daniele Suzuki - queria saber como uma canastrona daquelas consegue bons papeis

- uma história confusa, sem pé nem cabeça, chata no ultimo.

Até a trilha sonora foi horrivel. Parecia que era a (in)Fernanda Lima que estava cantando.