Thursday, August 21, 2008

A loira de Liverpool

Fatima Dannemann

 

 

             Liverpool amanheceu ensolarada naquele domingo. Pelo menos teoricamente, era manhã. Lá pelas sete horas, quase isto, um pouco menos. Mas, ainda havia noite cerrada. Um grupo descia para o café da manhã no mesmo hotel onde o Liverpool, time de football, amargava a derrota contra outro time por algo próximo a 3x2, e uma moça descia o elevador ainda em trajes de noite. Tinha os olhos visivelmente vermelhos. Teria chorado?

          Ela parecia decepcionada e não parava de tentar uma ligação telefônica de todos os aparelhos disponíveis no local.

         _ Será que ela caiu na mão dos hooligans?, cochichavam os amigos que tomavam o café  boquiabertos de ver que a noite do Outono Inglês pode durar bem mais que um amanhecer tardio. E os resultados tanto poderiam ser deecpcionantes, como no caso da moça chorosa e que, alias, vestia uma jaqueta prateada, ou supreendentes, como no caso de duas morenas frajolas que desciam o elevador às gargalhadas justamente quando o grupo que acordava provava as toasts  (torradas) com raspberry  jam (a velha e boa geleia de framboesa, diga-se de passagem) de seu breakfast.

          Para aquele grupo, a moçoila de jaqueta prateada, nervosa, doida para conseguir uma ligação, possível presa dos hooligans ou quase isto, parecia um personagem de filme de suspense.

           _ Seria a vítima ou a criminosa?, especulavam os comensais à mesa.

          Era loira como as protagonistas dos filmes de Hitchcock. Estava visivelmente em crise.

         _ Foi por isso que Liverpool inspirou os Beatles. Por causa dessa vida desvairada.

          Na porta da legendária cavern club, a boate onde os Beatles começaram sua carreira e que nem é mais a original, mas uma reconstrução mais que perfeita, garrafas quebradas, latas amassadas, copos plásticos, camisinhas usadas e outras coisas mais.

          _ Parece a Praça Castro Alves depois do carnaval.

          _ Cansada?

          _  Não, decadente e degradante, apenas com o lixo da festa e mais nada.

          Liverpool inspira música não por seus muros de tijolo vermelho ou por suas casas idênticas, mas por seus ares de submundo.

            O lixo no ponto histórico da cidade portuária inglesa parecendo o lixo legitimamente baiano. A moça loira da jaqueta prateada chorando as dores de amores fazem jus aos Beatles. A vida é louca como uma canção piscodélica e é sempre a mesma coisa, não importa o local. Acorda-se para ver o sol nascer em Liverpool, às 7 horas'. Não, não tem sol. É noite cerrada. Aqui tem sol. Mas ninguém tem tempo de reparar nesses detalhes. A moça loira chora ao telefone. As duas moças morenas riem frenéticas. Enquanto isto, outros tomam o café da manhã. E a vida, como um show, must go on and on and on...

 

Tuesday, August 05, 2008

DVD: Sinais


Filme reacende a velha questão da vida fora da terra

Fatima Dannemann

Dizem as más línguas, que todas as vezes que um pais ou ideologia ameaça a supremacia norte-americana, Hollywood contra-ataca com filme sobre ETs. Teria sido assim na década de 50 quando uma série de filmes sobre aliens, discos-voadores e invasão do planeta simbolizava a ameaça soviética da guerra fria.
Com Saddan Hussein, veio Independence Day, agora, depois do 11 de setembro de 2001, surge Sinais, com Mel Gibson. Seja como for, o filme apenas traz de volta uma velha pergunta: "existe vida fora da terra?"
A Bahia, estado brasileiro situado na Região Nordeste tem sido alvo de aparições esquisitas. Ninguem sabe explicar o que viu, dizem apenas que "não era coisa desse mundo". Em 96, um médico em Conceição do Almeida chegou a filmar pontos luminosos misteriosos no céu. O assunto foi parar no Fantástico, chegou a ser estudado por vários ufologos, mas tudo parou por ai. Dois anos mais tarde, uma jam session numa delicatessen de posto de gasolina de Salvador foi subitamente interrompida quando um objeto luminoso "caiu" do céu.
Esta queda, levou uma pequena multidão a uma localidade perto de Dias D'Ávila onde muita gente jura que viu cair um disco voador. Misteriosamente, ninguém encontrou nada, e a explicação oficial foi a de uma queda de um balão meteorológico, no mar. Misteriosas luzes foram avistadas dias antes do fenômeno, e umas delas chegaram a ser captadas, sem querer, pela lente de um fotógrafo de jornal. A versão de ufólogos baianos é a de que existiria uma base de ufos no oceano, ao largo da Bahia, e por isso as aparições são frequentes.
Locais como Chapada Diamantina, Jequiriçá e Reconcavo são alvos de frequentes avistamentos. Em Morro do Chapéu, anos atrás, alguem chegou a anunciar a construção de um "aeroporto para discos voadores". Gozação ou não, o fato é que enquanto o ET de Varginha mobilizava a opinião pública, fazendeiros baianos tiveram animais mortos misteriosamente. O caso aconteceu em diversas localidades do Reconcavo e próximas a Feira de Santana, segundo municipio do estado, a 108km de Salvador.
Tudo era precedido de estranhas luzes, latidos de cachorros assustados com algo que seus donos não viam. No dia seguinte, reses apareciam com perfurações no corpo. Algumas morriam instaneamente, outras morriam dias mais tarde. Nenhum veterinário se arriscou a um diagnóstico mais preciso.
Se isto aconteceu no final dos anos 90, antes disso os mistérios extra-planetários já rondavam a terra. Mesmo antes de Steven Spielberg encantar o mundo com ET, um avião da Vasp foi seguido por luzes misteriosas no percurso Fortaleza-São Paulo.
Sinais como os do filme protagonizado por Mel Gibson existem em diversos países e intrigam os estudiosos por não se parecerem com nada existente na terra. Muitos deles se encontram no interior da Inglaterra e apesar de intensamente estudados, nunca foi encontrada explicação para eles.

Ufologia atrai curiosos e estudiosos

Mesmo que não seja reconhecida "oficialmente" como ciência, a ufologia atrai curiosos para estudar aspectos ligados a vida fora da terra. Ramos mais esotéricos afirmam que o que chamamos estrelas, na verdade, são planetas mais evoluidos e nesses planetas morariam seres também mais evoluidos que os "terráqueos", muitos dos quais seriam mentores e protetores do nosso planetinha azul. Muitos desses seres, aliás, teriam vindo a terra para guiar a humanidade e o planeta em sua evolução e mudanças de plano evolutivo. Ou simplesmente proteger a terra contra ameaças alienígenas.
Isto teria acontecido durante a mudança do quarto para o quinto plano evolutivo. Foi quando seres de planetas menos evoluidos ou em crise teriam chegado a terra para se aproveitar da evolução do planeta e corromper a humanidade até então ingênua e dentro das leis. Esta queda seria ligada a destruição de Atllântida, o misterioso continente perdido.O mundo ocidental judaico-cristão rejeita a teoria de vida fora da terra, mas há quem associe "os anjos caidos" e a presença de grandes homens como Buda, Cristo, e outros profetas a extra-terrestres.
Claro que líderes religiosos e os meios científicos ficam irritados ao ler essas declarações. Mais de um ufólogo conta já ter sido ridicularizado e perseguido pelo mundo 'oficial", mas um deles, que pede a jornalista reserva quanto a sua identidade, diz que "há 500 anos, pensava-se que a terra era chata, descobriu-se a América e que o mundo é redondo. E há coisas inexplicáveis. Se a temperatura de vênus é tão alta como pregam os cientistas, porque as sondas espaciais enviada a esse planeta nunca sofreram avarias devido ao calor?"
A pergunta fica no ar. Enquanto isso, a Nasa descobre sinais muito semelhantes ao da terra em luas de Jupiter e formas primitivas de vida em meteoritos caidos de marte. Isto, sem contar planetas extra-sistema solar descobertos...

Hollywood e os ETs

Mistério sempre há de pintar por ai, diz a música. Pelo menos no cinema, existe vida fora da terra. Seja em fábulas delicadas como ET, de Spielberg, ou Cocoon, filme em que um grupo de idosos é levado a um planeta misterioso onde poderão rejuvenescer e viver eternamente, seja em versões mais violentas como os filmes da série Alien, com Sigourney Weaver.
Más línguas não faltam para associar os ETs do cinema ao medo dos americanos em perder sua supremacia global. O gênero floresceu na década de 50, em plena guerra-fria. Na década de 60, houve alguams incursões no gênero, como 2001 uma odisseia no Espaço.
Nos anos 70, dois jovens egressos das fileiras da Universidade da Califórnia, retomavam os filmes B da década de 50, davam charme, efeitos computadorizados. Quem são eles? Steven Spielberg e George Lucas. Os dois, isoladamente, assinaram ET, Guerra nas Estrelas, produziram e apoiaram projetos de aventuras extra-espaciais. nquanto isso, na TV, séries como Jornada nas Estrelas arrebataram uma imensa e fiel legião de fãs.
Na década de 90, Independence Day chegou a ser encarado como uma resposta de Hollywood a ameaça de Saddan Hussein e depois do atentado de 11 de setembro, foi visto como profético por alguns observadores.
Enquanto isso, ufólogos, esotéricos e bichos-grilos, se reunem em lugares como Sedona, Arizona, ou a área 51, no Novo Mexico, para tentar manter contatos imediatos de terceiro grau. Isto porque nem todos os ETs seriam malvados como os da série Alien. Que o digam as revistas em quadrinho: Super-Homem nada mais é que o ET Kal-El, vindo diretamente de Kripton para salvar o mundo de ameaças malignas como Lex Luthor.

Saturday, August 02, 2008

tutti frutti e hortelã

Que a lei seca é necessária, é. Mas que é preciso educar o povo para andar nas ruas (a pé, de carro, de moto, e de carinho de supermercado) também. O que se vê nas ruas são verdadeiras tentativas de assassinato.
 
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Aliás, a falta de respeito campeia e não faltam aulas na TV. Seja no real, nos noticiários. Ou mesmo nas novelas. Em Chamas da Vida, novela da Record, uma filha assalta a casa dos pais e ainda chama isto de "fazer um ganho".
 
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Isso prova que violência e crime não é questão de educação ou condições financeiras (a menina é rica). Muitas vezes é coisa de índole mesmo: infelizmente, a maldade existe e nem todo mundo controla sua própria maldade.
 
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Falando em novela, diz-se por ai que Juliana Paes reclamou do pouco destaque de sua personagem em A Favorita. Ganhou o papel principal da próxima novela (que será de Gloria Peres) e assim Maira será assassinada em breve.
 
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Quem será a criminosa? Donatela ou Lara? Donatela é tudo o que a maioria das pessoas abomina: uma perua arrogante que só liga para as aparencias agora transformada em mais uma chorosa qualquer. Lara é mais simpática mas...
 
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A questão importante hoje não gira mais em torno de personagens de novela. Até nos salões de beleza conversa-se hoje sobre a situação do país. Para muitos, oito anos depois de Lula, o pais não é o mesmo. Para muitos: mudou para pior.
 
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E a Globo vive desmentindo e se explicando: porque viajou num avião da FAB para cobrir a viagem de Lula, para onde vai o dinheiro do Criança Esperança. Sinal que a todo-poderosa não é invulnerável mesmo.
 
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Com medo da audiência que Pantanal, quase 20 anos depois, ainda consegue, Globo e Record resolvem caprichar nas cenas mais ousadas. Até na novela Os Mutantes, da Record, que é "mais cedo" os personagens tem furunfado bastante.
 
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Analisando bem, antes cenas de sexo do que cenas de violência. Infelizmente as emissoras ainda capricham nessas coisas. E Dado Dolabela aparece matando o próprio sogro em Chamas da Vida. Pior: desovando o cadáver em um terreno vadio. Lamentável.
 
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Bonita iniciativa, na sexta-feira, ao meio dia, os sinos das igrejas baianas repicaram ao mesmo tempo em memória das vitimas da violência que, infelizmente, têm crescido em Salvador. Mas será que alguem prestou atenção nisto?
 
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Entrevista de executivos, professores e estudantes de universidades baianas têm sido dificeis de entender. Eles parecem mais interessados em mostrar que decoraram todos os termos técnicos de uma vez do que em esclarecer as duvidas do publico. Haja!
 
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Nem tente reclamar dos péssimos serviços prestados pelos funcionários do Supermercado Bom Preço da Rua Pernambuco, Pituba: você não será ouvido. Os "produtores" e "supervisores" se limitam a "encaminhar" a um balcão na entrada e ficam papeando no meio das araras.
 
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E o telemarketing, heim? Por mais que você diga que não quer ouvir, que não dá informações ao telefone e que não quer mais receber chamadas, eles insistem. Passam um ou dois dias e olhem eles ai?
 
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Por falar em telemarketing, uma historinha. Alguem ligou, ofereceu um final de semana num hotel de cinco estrelas, bastando a pessoa comparecer em uma tal reunião, mas teria que passar alguns dados pessoais. A pessoa respondeu: "hotel de cinco estrelas de graça? Po, ofereça a sua mãe"...
 
Maria de Fatima Dannemann - DRT 786

Sunday, July 27, 2008

Como a primavera renasce todos os anos...

 

Como a primavera renasce todos os anos

(ou algumas notas sobre a Polônia)

 

Fátima Dannemann

 

          - Ali a esquerda fica a faculdade de comunicação... Ninguém leu errado. Faculdade de comunicação, sim. E melhor: um ponto turístico em Varsóvia, capital da Polônia, país que há 15 anos se libertou do ultimo "grilhão" e vem fazendo uma nova história. Nova, sim, totalmente, porque se tornou um dos raros países europeus onde a população é predominantemente jovem. Pois é. Pouca gente sabe maiores detalhes, mas a Polônia é um país jovem, bonito e alegre apesar das feridas do passado ainda não terem cicatrizado totalmente. A pior delas? A dominação soviética. Há poloneses que se mostram capazes de perdoar os alemães, "porque o mundo estava em guerra e nem todos eram nazistas", mas de não perdoar os russos, "eles ficaram aqui por 40 anos. Mataram mais". Das mazelas, sobraram enormes caixotes cinzas chamados de prédios de apartamentos que vão sendo modernizados pelos moradores. Antes não tinham elevador, nem banheiro, muitos não tinham nem janelas. Agora, alem de tudo isso, ainda ganham cores e jardins. Coisas de uma Polônia que nasce (ou renasce) para o mundo.

             Essa é a maior surpresa que o brasileiro tem quando chega ao país lá no norte da Europa, à beira do Mar do Norte. As tristezas estão ali em forma de museus de horrores como Auschwitz, mas a alegria é maior. Ninguém esquece o passado. Mas, os milhares de estudantes que moram e freqüentam as universidades de Cracóvia são pura alegria ao saírem às ruas vestidos de Branca de Neve e os Sete Anões, sem medo de ser feliz. Nas ruas largas da capital, presença de griffes famosas denunciam que tempos de cafonices e roupas escuras ficaram em algum canto dos livros de história. Guias mostram detalhadamente o castelo do rei Poniatowski, lembranças de uma era muito mais gloriosa em que amantes do rei eram presenteadas com castelos em um parque maravilhosamente verde que em muito lembra os trianons de Versailles, com uma diferença: os reis poloneses amavam o povo, a democracia e a liberdade. Estavam tão à frente de seu tempo, no século XVIII, que a monarquia acabou não dando certo.

                O país ama a liberdade, sempre teve artes e ciências avançadas, uma religiosidade a toda prova e talvez por isso tenha sido escravizado e seu povo sofrido horrores. Na segunda guerra mundial, havia mais de 40 campos de concentração onde morriam não somente judeus, mas poloneses e, já no final da guerra, gente de todo o continente europeu. Auschwitz, Bierkenau, Treblinka, nomes que são mais que dados a serem decorados por estudantes de história. São palcos de terror. Trabalhar como guia em Auschwitz onde ainda se sente cheiro de corpos queimados é tão penoso que as equipes trabalham dois meses e descansam um. No máximo. Do gueto de Varsóvia, onde milhares de pessoas foram trancafiadas dentro de um muro e depois incendiadas, sobrou um memorial com muitas fotos e um monumento.

                Apesar disso, o país não perde o pique e vem se refazendo. Já aderiu à Comunidade Européia, vem fazendo uma série de obras e melhorando toda a infra-estrutura que andou uns 40 anos atrasada (é impossível ligar direto ou a cobrar para o Brasil, entre outros detalhes). Como boa parte da população morreu durante as dominações nazistas e comunistas, o país vem refazendo seu povo que é jovem, bonito, alegre, bem vestido, e criativo e culto como dois de seus maiores expoentes, o compositor Chopin e o astrônomo Nicolau Copérnico, sem falar no mais famoso deles, o papa João Paulo II. Longe das mazelas históricas, os bares e restaurantes, muitos deles com decoração primorosa, fervilham de pessoas que aproveitam o dia que se estende, no verão, até mais tarde. A cozinha é um primor. Em lugares como o I Fuskiero, na Stare Miasto (cidade antiga) de Varsóvia, restaurante visitado por chefes de estado e celebridades do mundo artístico, come-se muito bem e bebe-se melhor ainda, principalmente vodka e cerveja. As especialidades variam entre os Pierogis, espécie de empadinhas cozida, aos Zhurak, sopa que mistura queijo, presunto, batata, gratinada no forno e servida num pão. Sem falar nos doces e sorvetes. A Polônia é uma festa. Depois de uma era de dominações, o pais respira liberdade e transforma tudo isso em juventude e alegria. Uma grata surpresa, como a primavera que volta todos os anos depois dos rigores do inverno...

Saturday, July 26, 2008

crônica - Saudade de outros invernos

 

Fatima Dannemann

 

             O sábado esquenta um julho gelado. Coisa rara numa cidade onde o inverno era morno. Antes, apenas chovia e era tudo. Hoje, faz até dias bonitos mas é mais. As conversas já não giram  sobre o tempo porque o calor ou frio que mais importa hoje são os das emoções. O sol brilha mas já não há esperança no coração das mães que perderam seus filhos entre balas que encontraram corações inocentes. Pipocam chacinas e os homens do poder disfarçam prendendo deliqüentes ricos. E o povo aproveita a lei seca e volta para casa mais cedo. Quem pode aproveita e se tranca em verdadeiras cidadelas fortificadas com equipamentos de lazer a quem a publicidade dá o nome de condomínios fechados mas que é um jeito de se viver um pouco mais – e melhor.

               Cadê os invernos de outros tempos? Mudou tudo. Até a história de romances consagrados que viram novelas nem tão doces em horário água-com-açúcar. Os donos de bares se revoltam contra a lei seca. As mães não precisam dizer "volte para casa mais cedo, meu filho" até porque a noite, depois de certa hora, assusta. Engarrafamentos assombram como se o Coringa do mais novo Batman fosse aparecer e detonar todo mundo ali mesmo. Mas são apenas as obras "congeladas" por quatro anos que voltam na onda da próxima estação. Isso tudo cabe numa manhã de ex-inverno. Mas não é a primavera que se anuncia mais cedo. É o aquecimento global. Mas só o tempo e os ânimos esquentam.

               Dá no noticiário: em tom zangado um hoteleiro do sul do pais reclama da falta de turistas. Não tem frio. Ninguém vai lá. Dá no noticiário: em tom zangado um hoteleiro do norte do país reclama da falta de turista. Não tem praia. Ninguém vai lá. Não tem como ficar no meio: o Rio de Janeiro continua lindo, mas só nas novelas. Fora disso? Apenas uma guerra contra o crime que vai matando criancinhas. Dá no noticiário:  o Presidente viaja e leva a Globo num avião da FAB. Desconserto, desmentido, desmandos e soltam-se os meliantes de gravata por "falta de provas". A guerra está criada. No alvo o Judiciário: e como ter um estado de direito sem juizes livres para fazer cumprir a lei? Ninguém nota. Em cada coração há um guarda policiando pensamentos. Principalmente os alheios. A censura ronda os meios de comunicação como um fantasma. A censura ronda as conversas de "amigos" que fazem ameaças veladas: "cuidado comigo", cacareja uma perua para um desafeto. Pode dar policia. Mas e a justiça?

              Nas sinaleiras pipocam performances de malabaristas e de meliantes. Moças bonitinhas distribuem folhetos que anunciam o paraíso: morar com segurança e sem precisar sair de casa em prédios misto de clubes, escritório, shopping center. Mas e a vida lá fora? Alguém sente falta da imensidão de um deserto onde só há o vazio das dunas, o céu, a lua, muitas estrelas e – raramente – algumas poucas nuvens. E dá no noticiário: um hoteleiro no deserto dessa vez elogia. As pessoas vão para lá porque não tem frio, tem piscina, ah, e tem segurança. Dá para andar nas ruas até de noite. Sem bebidas, mas em terra de lei seca, quem liga?

              E o sábado azul esquenta um julho gelado. Uma brisa morna sopra os maus pensamentos e as más lembranças para um lugar distante chamado esquecimento. Não, não dá para apagar certas marcas da vida. Principalmente com as noticias marteladas na televisão onde hoteleiros – nem satisfeitos, nem zangados – anunciam promoções para o próximo feriado. Mas dá para olhar para frente. E algumas pessoas antecipam o ano novo e pensam no amanhã. Não, não dá para parar. Nem engarrafamentos com medo do coringa. Nem apenas lembrando a vida numa manhã de sábado. O Oriente anda em alta. China, Japão, Vietnã, Tailândia... No roteiro dos turistas, no destino de esportistas, nos concursos de miss. Ou simplesmente porque o sol nasce no Leste. E a vida sempre recomeça. Todas as manhãs.

 

Wednesday, July 16, 2008



Especial Miss Universo: silicone, chapinha e transparências

Mal foi eleita Miss Universo, e a venezuelana Dayana Mendonza já virou alvo de denuncias. Há quem diga que ela se submeteu a pelo menos duas plásticas antes do concurso.

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O Miss U 2008 foi realizado no último domingo no Vietnã e a melhor coisa do concurso - transmitido ao vivo pela Band - foram as imagens do belo país do sudeste asiático, em alta no mercado turistico.

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Na passarela, foram vistas 80 meninas vindas de todas as partes do mundo, muitas delas longe do original de fábrica: silicone, chapinha, tinta no cabelo mostram que elas usam da química e da ciência para ser candidata.

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A brasileira, Natália Anderle, uma morena peituda do Rio Grande do Sul, não gostou nada, mas ela ficou fora das 15 finalistas. Reclamou. Mas, ela nem devia ter sido eleita Miss Brasil pois definitivamente não foi a mais bonita do ano.

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Venezuela e Colômbia nos dois primeiros lugares mostram que o concurso - tanto quanto beleza - visa politica. Esses dois países estiveram em evidência no noticiário internacional nos ultimos meses.

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A colombiana, aliás, era mais bonita e merecia ganhar. Deve ter perdido por conta do vestido de baile horroroso que ela usou. E foram os vestidos que deixaram Miss Mexico e Miss Republica Dominicana entre as cinco primeiras.

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Os vestidos eram horrorosos, mas completamente transparentes e ousados. O da dominicana ainda era mais feio do que a do México. Mas parece que os jurados gostaram do que viram (ou o que pensaram que viram).

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A americana - negra, coincidentemente num ano em que Barack Obama disputa a presidencia - tropeçou, caiu, não perdeu o rebolado, mas perdeu a coroa. Pena, porque ela era bonita, chique e daria uma excelente miss universo.

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O mesmo pode-se dizer da Miss Russia, que usou um vestido branco lindo, clássico, eleganterrimo, mas ficou em quinto lugar (perdeu dos vestidos transparentes, do modelito horrendo da Miss Colombia e do maravilhoso vestido amarelo da vencedora).

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Chose de loc foi o traje típico da Miss Venezuela: tinha uma coisa enfiada no nariz. Feio e vermelho, o traje não influiu, nem contribuiu. No final, ela ganhou de todo mundo mesmo.

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O concurso foi rápido, sem enrolação, entre os jurados o dono do concurso, Donald Trump Junior. Entre um desfile e outro (aliás, modelito de biquine feioso, heim), cenas do Vietnan principalmente dos maravilhosos resorts de luxo do pais.

Thursday, July 10, 2008

comentário - Guerra de Baixarias

 

Guerra de Baixarias

 

Fátima Dannemann

 

            Na busca pela audiência, as novelas têm apelado para todo tipo de baixaria. O pior deles é, e sempre será, embora consentida, a violência. Na recém-lançada Chamas da Vida (de segunda a sábado 21h na Record), já houve desmonte de carros roubados, incêndio criminoso, tentativa de estupro e exploração de crianças de rua entre outros crimes. Isto, nunca sociedade em que meninos como Isabella Nardoni e João Robertos são assassinados covardemente, é exagerado. Já existe até quem ache que falta Deus na sociedade cada vez mais materialista e à mercê de cenas de sangue e tiros até promovidas pela mídia em troca de "audiência".

              Houve um tempo – e recente, aliás – em que o que "chocava" eram cenas de sexo. Chocava e dava Ibope. Um exemplo disso está em reprise no SBT, a novela Pantanal, que deve muito do seu sucesso a cena de gente pelada transando nos rios do Mato Grosso. Mais do que as belezas exóticas dos rios, florestas e animais silvestres, o que chamava atenção eram as cenas de nudez pra lá de calientes entre Juma e Jove e Tadeu e Muda, que podem ser vistas agora por volta das 10 horas numa reprise "não autorizada" pelos "donos" da novela mas que Silvio Santos resolveu arriscar e exibir. Banalizaram o sexo e a violência começou a dominar em todos os horários e quando já se achava que a bazuca de Juvenal Antena ou a guerra dos mutantes de Caminhos do Coração eram o ponto alto, começa A Favorita e Chamas da Vida trazendo ainda mais baixarias para o horário nobre.

              Não se sabe porque, mas caíram de moda novelas bem humoradas como Tieta, Pedra sobre Pedra, A Indomada em que o interior do Brasil era mostrado em situações engraçadas e que, mesmo havendo violência, as cenas mais "fortes" eram amenizadas de alguma maneira. Hoje, acha-se que as novelas (obras de ficção e que, portanto, podem ser inventadas como pura fantasia sem compromisso em retratar nada, muito menos refletir, justamente os piores males da sociedade como corrupção, falsidade, violência e outros crimes) têm que ter "compromisso social".

              Se por um lado elas até fazem um favor a sociedade quando mostram questões como síndrome de down (em Paginas da Vida), crianças roubadas na maternidade, gravidez na adolescência, casamentos interraciais, crescimento de religiões evangélicas, trafico de mulheres e outros problemas, elas exageram e em vez de denunciar acabam enaltecendo outros problemas. Assim, cresce a AIDS em mulheres jovens, cresce o número de vítimas de distúrbios alimentares (claro... para participar de algumas novelas da Globo as artistas se submetem a cirurgias plásticas delicadas e desnecessárias), ninguém mais se aceita ao olhar no espelho, sem falar na verdadeira aula de crimes e falcatruas que bandidos e aspirantes a delinquentes ensinam em tramas desde Malhação (Globo, 17h)  até Amor e Intrigas (Record, 22h)  onde, nos últimos capítulos, um casal de bandidos só conversam sobre o planejamento do sequestro de um ex-namorado rico da vilã

               Realmente, não dá. De um lado, Malhação, Ciranda de Pedra, Beleza Pura e A Favorita, em outro Os Mutantes, Chamas da Vida e Amor e Intrigas que, mesmo com todas as cenas de tentativa de assassinato, assaltos e seqüestros acabou sendo a mais "leve" das três novelas da Record. De quebra, as criancinhas exploradas em Chiquititas e o sexismo de Pantanal. Isso desmente a velha idéia de que são os desenhos animados e vídeo-games que disseminam a violência no mundo. Já chega o noticiário. Ninguém precisa ter indisgestão ao ver tanta baixaria na TV e o pior que o povão não tem acesso a outras diversões por falta de grana. E notem que eu nem falei no desempenho de certas "estrelas" como Débora Secco, fazendo mais uma alpinista social em A Favorita, ou Isis Valverde, que já está exagerada no papel da morena-burra Rakelli em Beleza Pura.

 

 

Sunday, July 06, 2008

Um dia ainda terei uma piscina de bolinhas

Um dia ainda terei uma piscina de bolinhas
 
por Fatima Dannemann

Se algum dia eu ficar milionária e puder me dar ao luxo de, ao mesmo tempo ser excêntrica e considerada chique, podem escrever: vou construir uma piscina de bolinhas em minha casa.
Uma das minhas frustrações. Nunca nadei numa piscina de bolinhas. Já tomei banho de mar, de rio, de cachoeira, em corredeiras, em lago (er, eu tentei... mas as aguas do Loch Lomond eram geladas), de banheira, de espuma. Mas, de bolinha naquelas piscininhas de festinha infantil e de parquinho do Mc Donalds, nunca.
Bom, nós, que somos um pouquinho mais velhos que os pirralhos costumamos dizer que nossa infancia foi melhor. Por exemplo: podia entrar no cine Rio Vermelho dizendo o ingresso está lá atrás e não pagar nada, gritar tá na horaaaaaaa quando o filme atrasava, e meu dinheirooooooo quando o filme quebrava. A geração multiplex não pode nem ficar no cinema a tarde toda e assistir ao mesmo filme trocentas vezes, os fiscais não deixam, e haja fiscal.
Ainda tem a pipoca: carésima, com gosto de isopor daquelas que só pode ser vendida num pacote que vendem uma coca cola pet acondicionada num copo de papelão dificilimo de carregar. As garrafas de vidro eram quebráveis mas eram até mais ecológicas, pois ia tudo pro engradado e não ficava aquele bando de copos e porqueiras espalhados no chão.
Mas, a pirralhada de hoje tem coisa melhor sim: cinema 3D, piscina de bolinhas, video game, e aquelas lojas de bombons toda transadinhas que vendem aqueles pirulitos enormes enfeitadinhos...
Bom, vamos esquecer os multiplex e os cinemas poeiras. Vamos pensar nas coisas boas como o conselho dos psicologos de manter viva a criança interior...
Com licença, enquanto não viro milionária excentrica (e chiquérrima), enquanto não tenho minha própria piscina de bolinhas, com licença: tou indo a lojinha comprar meus pirulitos.
(publicada em 2001 no site nightbahia)
 

Saturday, June 28, 2008

Tutti frutti by Fatima

Dirigir e beber pode ser uma combinação perigosa, mas pergunta-se: será que só basta multar para evitar acidentes? e como fica a situação das estradas, esburacadas, sem sinalização e com milhares de problemas de segurança?
 
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Tudo bem: elas ganham pouco (as vezes menos do que um trabalhador doméstico), tem problemas pessoais, despesas, etc, mas será que as atendentes de clínica precisam descarregar suas frustrações nos clientes?
 
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O atendimento em certos consultórios, clínicas e serviços de saúde está de mal a pior. Em certa clínica cardiologica, paciente foi reclamar da demora de uma prova de esforço. A atendente encrespou e deixou o paciente com marcas roxas.
 
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Certas alunas de academia de ginástica precisam ter em mente que tudo na vida passa e acaba: até a pretensa adolescência que elas alegam ter. Daqui a uns anos, o pancake que elas usam para ir malhar, vai ceder lugar ao botox. Inevitável.
 
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A disputa para a prefeitura de Salvador esse ano deverá ser acirrada. Principalmente porque nenhum dos candidatos anunciados até o momento chega a atender as expectativas dos eleitores.
 
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E os fogos de artificio? parece que a campanha na mídia não basta para que as pessoas tenham mais cuidado ao saltar espadas, bombas e traques. Os estragos foram muitos esse ano.
 
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A morte misteriosa dos bebês na Santa Casa do Pará, lembra um caso de morte em série por gastro enterite ocorrido na Fundac (na época Fameb) dos anos 80. No fim, tudo dá em nada.
 
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O grupo Aviões do Forró emplacou mesmo o hit Chupa que é de uva. Mesmo com todo o mau gosto da letra da música, de duplo sentido explícito, todo mundo cantou. A música foi inclusive a mais tocada em recente casamento chic da cidade.
 
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Parece mentira, mas depois de uns 10 minutos de inevitáveis hits "sérios" como New York New York, só deu funk, créu e Aviões do Forró. Até os pais dos noivos cairam na dança...
 
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A novela A Favorita anda tão chata, com uma história tão irreal que muita gente não pensa duas vezes, muda de canal e assiste Os Mutantes, Amor e Intrigas, Agua na Boca e Pantanal.
 
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Depois da final de O Aprendiz 5 - O sócio, na Record, e da realização de Me Garanto, dentro do programa Mais Você, da Rede Globo, fica claro que nada mais fantasia do que Reality Show.
 
 
 
 
 

virtualidades

Virtualidades


Fatima Dannemann

A era uma garota de 20 anos. Um dia, ao ver o irmão menor correndo risco de vida, jogou-se com tudo numa pista de alta velocidade para salva-lo. Foi atropelada, sofreu fratura na perna, ficou muitos meses engessada tendo que interromper seu curso na Faculdade de Direito de uma capital brasileira. Linda e comovente história. Poderia estar num romance, numa novela de televisão, num filme, ou mesmo numa revista do tipo Claudia ou Marie Claire. Mas, aconteceu via e-mail, icq, listas de discussão, envolveu pessoas inocentes e incautas e só não durou para sempre porque descobriu-se que nada daquilo era verdade. A garota A. na verdade se chamava B, tinha mais de 40 anos, distúrbios mentais e usava a Internet para viver suas fantasias. Como muitas outras pessoas também o fazem.
De falsos bilhetes de suicídio a pessoas que afirmam estarem internadas em hospitais com tumores inoperáveis e em estado terminal, acaba dando de tudo nesse sanatório geral que se chama Internet, cujo vício, em alguns paises, já está merecendo o mesmo tratamento de choque dedicado a outros vícios e manias mais prosaicos como o alcoolismo ou as drogas. Ah, antes que me perguntem: porque falar de virtualidades justamente num site da Internet? Bom, não vejo melhor lugar para isso. Acredito que as pessoas devam ler e ver que se no real nem tudo é o que parece ser, na net as fantasias e desvios da verdade são ainda mais exarcebados por conta da "invisibilidade" que o computador permite.
O que deveria ser um meio de informação, um meio de interação entre pessoas fisicamente distantes, um meio de diversão, se torna muitas vezes palco para que neuróticos e nem tanto soltem suas fantasias. E acaba dando de tudo: falsos bilhetes de suicídio, fantasiosos portadores de câncer no cérebro que usam o PC do hospital para formatar lindos e-mails, homens casados e pais de família soltando o lado sedutor e se passando por boyzinhos de 20 e poucos, e muitos outros casos. Alguns, admito, não passam de fantasias ingênuas, porém outros extrapolam os limites do bom senso. Em algumas dessas histórias, tive alguma participação, em outras fiquei sabendo apenas através de net-fofocas via e-mail ou icq, e em todos os momentos fui condenada justamente por achar certas histórias fantasiosas demais para ser verdade. Como a da moça da perna quebrada, que mesmo sendo estudante de direito se "enrolou" quando fiz algumas perguntas sobre questões jurídicas, ah, e que não usava laptop.
A principal desculpa – ouvi de um amigo de chat no icq – é que "podemos contar monte de mentiras, ninguém vai descobrir nunca". Quando eu solto minha descrição dizendo que sou "cheinha", míope de usar óculos fundo de garrafa e tenho uma potoca no meio da testa, o povo ri achando que é mentira e quando envio a foto (de óculos, evidenciando os alguns quilos acima do peso e a tal potoca), nego ainda diz: "mas você é bonita", omitem tudo o que eu gostaria de ouvir: "puxa, então a potoca e os óculos eram verdade".
Verdade, entre os net-addicted é palavra que não existe. Extravazar as fantasias, formatar e-mails maravilhosos, caprichando muito mais no visual e na trilha sonora do que no texto, que a maioria das pessoas nem lê e não repara no nome maldito do Autor Desconhecido no final da mensagem, é tudo o que importa. Ah, e repassar tudo o que chega. Repasses, especialmente de determinados internautas, revela "status", um flerte com os "poderosos" da internet, mesmo que na teoria e na prática todos os que acessam a rede, independente do tipo de conexão e do provedor que assinam, estão em pé de igualdade. Isso deveria ser o forte de internet: a democracia, o ser humano como igual, uma relação de semelhante para semelhante. Mas, nem tudo está perdido. Pelo menos na Bahia, já se acena com um movimento pela democracia na Internet. Quem sabe, esse movimento toma vulto, cresce e um dia, A se mostre como A mesmo, e as mentiras e a falsa "aura" de poder e glória se esvaziem e as pessoas passem a apenas enxergar a beleza de se ser humano sem ter medo de ser feliz.

Saturday, June 21, 2008



Notas Soltas


Elenco cheio de estrelas: Patricia Pillar, Claudia Raia, Juliana Paes. História de menos. Assim é A Favorita, nova novela das oito. Muito drama. Muito clichê e a primeira baixa: Juliana Paes que deixa a trama.

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A história da mulher presa durante anos enquanto outra cria sua filha já foi vista em Dancing Days. Claro que com uma maquiagem, mudança de cenário e trilha sonora, trocando a discoteca por festas country, ninguem nem nota...

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Enquanto isto, no horário das seis, Ciranda de Pedra causa perplexidade. Para quem se lembra de Lucelia Santos na primeira versão, a nova Virginia (quem é mesmo ela) parece apenas uma sombra muito pálida e sem vida.

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Uma sugestão para a Globo é mudar o horário das sit-coms das 22h e eliminar uma das novelas. Claro que nem todas elas poderiam ser liberadas para horários mais cedo, como Dicas de um sedutor, mas as outras seriam uma ótima alternativa para quem não aguenta mais a mesmice.

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Falando em mesmice, a programação da sessão da Tarde cansou. Outra coisa que cansou, também, foi Bob Esponja. Os episódios mais novos estão completamente sem graça. Melhor seria se a Globo revisse sua programação.

Friday, June 13, 2008

Cinema



Nem todos os títulos são o que parecem ser



Se você não sabe inglês, não tente aprende-lo pelos títulos de filme. As traduções em português muitas vezes não correspondem ao original e um exemplo disto é a deliciosa comédia O amor custa caro, em cartaz nos cinemas. O original em inglês fala de crueldade, mas não em preços. Outros exemplos são clássicos como Assim Caminha a Humanidade, em inglês apenas Giant (gigante) ou A Noviça Rebelde (Sound of music).



Fatima Dannemann



A Farra do Demônio é um desses filmes trash de orçamento baixo, assinado por um diretor chinês, John Woo, que se tornou cult entre universitários. Pois seu titulo em inglês nada tem a ver com a tradução em português: To hell with devil (para o inferno com o diabo). Mudando para algo mais hollywoodiano e mais “bonitinho”, o já clássico A Noviça Rebelde, que trata da história verdadeira de Maria von Trapp ex-noviça que se casa com um oficial da marinha austríaca viúvo com sete filhos e foge do nazismo através das montanhas até a Suíça, dificilmente levaria alguém a aprender inglês via títulos de filme. Sounds of Music significa Sons da Música, o mesmo título – ou quase isso – da musica tema do filme (the hills are alive/with the sounds of music...).

Para chamar o público, os distribuidores de filmes simplesmente trocam o título por outros que lhe parecem mais “comerciais”. Assim, muito do verdadeiro significado ou até todo o significado se perde e àqueles que sabem um pouco do idioma inglês resta apenas a perplexidade de não saber onde e como os distribuidores acharam aquele título. Exemplo clássico: To have or not to have. Este filme, da década de 40, é baseado num original de Ernest Hemingway e foi quando o casal Humphrey Bogart e Lauren Bacall se conheceram e começaram um romance que durou toda a vida do Boggie. O título original significa Ter ou não ter, mas em português se chamou Uma aventura na Martinica. Nada a ver, claro, e a brincadeira com o clássico monologo to be or not to be foi perdido para sempre.



Tradução Cruel


Goerge Clooney é um inescrupuloso advogado que não perde uma só causa de divórcio. Catherine Zeta-Jones é uma das derrotadas pelo advogado que jura vingança. Claro que os dois se apaixonam, mas enquanto isso o público se diverte numa comédia romântica deliciosa, com uma trilha sonora maravilhosa, com 80 por cento de músicas de Simon e Garfunkel, incluindo uma versão de Bridge over troubled waters. Um filme que vale o dinheiro do ingresso. O título em português seria Crueldade Intolerável. Seria. Mas da crueldade do título só sobrou a tradução que transformou Intolerable Cruelty em O amor custa caro, filme que está em cartaz nos cinemas.

Outro filme recente que teve o original modificado. Willard, título original, foi acrescido de A vingança e se transformou em A vingança de Willard. Personal Velocity: Three Portraits, filme de arte cujo título significa Velocidade Pessoal: Três retratos, virou O tempo de cada um, Basic (Básico) virou Violação de Conduta, The italian Job, a profissão italiana se transformou em Uma saída de mestre. É só conferir os sites de cinema e ver os títulos dos filmes recentes. Mas isto acontece desde que Hollywood é Hollywood, e alguns títulos traduzidos acabam sendo totalmente modificados.

Giant (Gigante) virou Assim Caminha a Humanidade, um filme oscarizado da década de 50, com alguns dos ícones da época, um dos ultimos filmes do legendário James Dean que morreria na flor da idade e no auge do sucesso num acidente em seu carro conversível. Entre dois amores, filme também premiado com o Oscar, era apenas Out of Africa no original em inglês. A força do destino no original era an officer and a gentleman (um oficial e um cavalheiro). Basic Instinct, instinto básico, virou Instinto Selvagem. Há casos em que a tradução não muda nada como sexo, mentiras e videotape, que em inglês é exatamente isso sex, lies and vídeotape. Com letras minúsculas e tudo mais.
Remanescentes de quilombo vivem no passado

Maria de Fatima Dannemann




O lugar onde o vento faz a curva. Depois de mais de três horas de carro, em ritmo de aventura, com raposas e pacas cortando a pista a todo instante, é esta a impressão que se tem de Laje dos Negros: a de ser realmente onde o vento faz a curva. Um lugar perdido no tempo e esquecido pelos mapas. Este povoado, mais conhecido como Laje, entre os moradores da região de Campo Formoso, centraliza outros povoados tão perdidos e precários que vão se encontrando ao longo dos 110 quilômetros de estrada de chão batido, cheia de lamas e riachos profundos: Alagadiço, Gameleira, Casa Nova, Pedra, e mais de uma dezena de outros vilarejos (alguns são apenas um punhado de casas), onde vive uma população extremamente pobre.

Somente há tres anos esses povoados ganharam energia elétrica. Muitos não têm água encanada. Nenhuma das estradas que interligam esses povoamentos têm qualquer tipo de pavimentação. Avista-se Laje dos Negros, o maior dele, depois de uma ladeira. Lá embaixo, na curva, no pé de um morro alto e junto ao lajedo de pedra às margens do rio onde os negros se amotinaram, amontoam-se os pequenos casebres onde moram trabalhadores rurais e pequenos comerciantes que estão vivendo uma série de problemas em decorrência a falta de luz. Os piores são a falta de emprego, “ninguém acha um serviço nem para ganhar R$5,00”, diz Júlio Tibúrcio da Silva, um dos moradores mais antigos do lugar, e a violência provocada pelo tráfico de drogas.

Medo


É como se ainda estivessem no quilombo fugindo aos senhores de engenhos ou fazendas dos tempos imperiais. Mal avistam um carro fecham portas, janelas, escondem-se dentro de casa. O sertão, que sofre com seca, enchente, falta de recursos financeiros para as populações mais pobres investir até em agricultura de subsistência, tem problemas mais profundos. No início do século, o terror do agreste eram os cangaceiros e a volante em sua eterna perseguição. Hoje as brigas entre traficantes de droga e Polícia federal levam o medo aos descendentes de escravos que ficaram na região, cujo nome provoca calafrios de medo em alguns moradores da sede de Campo Formoso.

– Muita gente foi embora, isso aqui não dá futuro a ninguém não, dizem os moradores do lugar que moram em minúsculos casebres com famílias com até 10 filhos ou mais. Quando anoitece e fica escuro, ninguém enxerga mais nada. Todo mundo se tranca em casa, acende os fifós e vão dormir. Sonhar com dias melhores ainda é a melhor diversão para toda aquela gente sofrida e desconfiada. “Luz? Aqui? Governo colocar luz aqui? Ah, eu só acredito vendo”. Este é o “tesouro” que pode resolver os problemas da região: o desemprego e a violência que as continuadas ações tem ajudado a resolver.

Antigamente era muito pior, segundo os moradores de Laje. Com as batidas periódicas que a PF vem promovendo no lugar, a situação melhorou. “Outro dia pegaram 37 quilos de maconha. Dizem que tem uma plantação a uns 9 quilômetros daqui. Com a falta de condições financeiras, muita gente faz o que não deve”, diz Júlio Tibúrcio da Silva. Horas tranqüilas, de paz e sossego, são poucas. Durante a feira, aos domingos, durante a festa de Santo Antônio, em junho, e enquanto a única televisão do povoado, movida a bateria solar, exibe as novelas da Globo, única diversão para os jovens em dias “normais”.

Necessidades

– Nós estamos precisando de tudo. Aqui tem tanto problema que só um prefeito não dá conta do recado, dizem os moradores de Laje dos Negros sobre a situação em que se encontram. Laje dos Negros, aliás, tem ares de “capital” quando comparada, por exemplo, a Alagadiço, os povoados mais próximos, que não passam de um punhado de casas amontoadas de forma desordenada, um grupo escolar, o inevitável campinho de futebol e pequenas capelas católicas onde os padres só dão ar da graça em dias de festas.

A história de Laje começou ainda no tempo da escravatura. Um dia, alguém encontrou escravos fugitivos que moravam ao relento, em um lajedo de pedra às margens do rio que banha o lugar. Outras pessoas foram chegando, a povoação se espalhou pelos cantos vizinhos. A negritude original foi se mesclando aos índios, caboclos, brancos, mas a grande maioria ainda é descendente dos escravos que deram origem à povoação. O tempo passou, mas a vida não melhorou para o povo de Laje e vizinhança alguns vivendo na mais completa pobreza.

Sem luz – e em alguns povoados sem água – não há condições de estocar alimentos para os períodos das “vacas magras”. A ambulância que ficava na região, pronta para remover doentes mais graves até o hospital ou posto de saúde mais próximo, sumiu depois que a nova administração municipal de Campo Formoso tomou posse. Também não há creche para as inúmeras crianças pequenas da região. As mulheres têm famílias numerosas. Algumas até mais de 10 filhos, nenhuma orientação, por exemplo, quanto à necessidade de fazer planejamento familiar, assunto que, em Campo Formoso, mulheres já discutem mais abertamente. Com crianças pequenas, não se pode trabalhar, dizem as mulheres da região.

Maria de Fatima Dannemann é jornalista
(matéria publicada originalmente no jornal A Tarde, reescrita em agosto de 2002)
Filme reacende a velha questão da vida fora da terra

Fatima Dannemann

Dizem as más línguas, que todas as vezes que um pais ou ideologia ameaça a supremacia norte-americana, Hollywood contra-ataca com filme sobre ETs. Teria sido assim na década de 50 quando uma série de filmes sobre aliens, discos-voadores e invasão do planeta simbolizava a ameaça soviética da guerra fria.
Com Saddan Hussein, veio Independence Day, agora, depois do 11 de setembro de 2001, surge Sinais, com Mel Gibson. Seja como for, o filme apenas traz de volta uma velha pergunta: "existe vida fora da terra?"
A Bahia, estado brasileiro situado na Região Nordeste tem sido alvo de aparições esquisitas. Ninguem sabe explicar o que viu, dizem apenas que "não era coisa desse mundo". Em 96, um médico em Conceição do Almeida chegou a filmar pontos luminosos misteriosos no céu. O assunto foi parar no Fantástico, chegou a ser estudado por vários ufologos, mas tudo parou por ai. Dois anos mais tarde, uma jam session numa delicatessen de posto de gasolina de Salvador foi subitamente interrompida quando um objeto luminoso "caiu" do céu.
Esta queda, levou uma pequena multidão a uma localidade perto de Dias D'Ávila onde muita gente jura que viu cair um disco voador. Misteriosamente, ninguém encontrou nada, e a explicação oficial foi a de uma queda de um balão meteorológico, no mar. Misteriosas luzes foram avistadas dias antes do fenômeno, e umas delas chegaram a ser captadas, sem querer, pela lente de um fotógrafo de jornal. A versão de ufólogos baianos é a de que existiria uma base de ufos no oceano, ao largo da Bahia, e por isso as aparições são frequentes.
Locais como Chapada Diamantina, Jequiriçá e Reconcavo são alvos de frequentes avistamentos. Em Morro do Chapéu, anos atrás, alguem chegou a anunciar a construção de um "aeroporto para discos voadores". Gozação ou não, o fato é que enquanto o ET de Varginha mobilizava a opinião pública, fazendeiros baianos tiveram animais mortos misteriosamente. O caso aconteceu em diversas localidades do Reconcavo e próximas a Feira de Santana, segundo municipio do estado, a 108km de Salvador.
Tudo era precedido de estranhas luzes, latidos de cachorros assustados com algo que seus donos não viam. No dia seguinte, reses apareciam com perfurações no corpo. Algumas morriam instaneamente, outras morriam dias mais tarde. Nenhum veterinário se arriscou a um diagnóstico mais preciso.
Se isto aconteceu no final dos anos 90, antes disso os mistérios extra-planetários já rondavam a terra. Mesmo antes de Steven Spielberg encantar o mundo com ET, um avião da Vasp foi seguido por luzes misteriosas no percurso Fortaleza-São Paulo.
Sinais como os do filme protagonizado por Mel Gibson existem em diversos países e intrigam os estudiosos por não se parecerem com nada existente na terra. Muitos deles se encontram no interior da Inglaterra e apesar de intensamente estudados, nunca foi encontrada explicação para eles.

Ufologia atrai curiosos e estudiosos

Mesmo que não seja reconhecida "oficialmente" como ciência, a ufologia atrai curiosos para estudar aspectos ligados a vida fora da terra. Ramos mais esotéricos afirmam que o que chamamos estrelas, na verdade, são planetas mais evoluidos e nesses planetas morariam seres também mais evoluidos que os "terráqueos", muitos dos quais seriam mentores e protetores do nosso planetinha azul. Muitos desses seres, aliás, teriam vindo a terra para guiar a humanidade e o planeta em sua evolução e mudanças de plano evolutivo. Ou simplesmente proteger a terra contra ameaças alienígenas.
Isto teria acontecido durante a mudança do quarto para o quinto plano evolutivo. Foi quando seres de planetas menos evoluidos ou em crise teriam chegado a terra para se aproveitar da evolução do planeta e corromper a humanidade até então ingênua e dentro das leis. Esta queda seria ligada a destruição de Atllântida, o misterioso continente perdido.O mundo ocidental judaico-cristão rejeita a teoria de vida fora da terra, mas há quem associe "os anjos caidos" e a presença de grandes homens como Buda, Cristo, e outros profetas a extra-terrestres.
Claro que líderes religiosos e os meios científicos ficam irritados ao ler essas declarações. Mais de um ufólogo conta já ter sido ridicularizado e perseguido pelo mundo 'oficial", mas um deles, que pede a jornalista reserva quanto a sua identidade, diz que "há 500 anos, pensava-se que a terra era chata, descobriu-se a América e que o mundo é redondo. E há coisas inexplicáveis. Se a temperatura de vênus é tão alta como pregam os cientistas, porque as sondas espaciais enviada a esse planeta nunca sofreram avarias devido ao calor?"
A pergunta fica no ar. Enquanto isso, a Nasa descobre sinais muito semelhantes ao da terra em luas de Jupiter e formas primitivas de vida em meteoritos caidos de marte. Isto, sem contar planetas extra-sistema solar descobertos...

Hollywood e os ETs

Mistério sempre há de pintar por ai, diz a música. Pelo menos no cinema, existe vida fora da terra. Seja em fábulas delicadas como ET, de Spielberg, ou Cocoon, filme em que um grupo de idosos é levado a um planeta misterioso onde poderão rejuvenescer e viver eternamente, seja em versões mais violentas como os filmes da série Alien, com Sigourney Weaver.
Más línguas não faltam para associar os ETs do cinema ao medo dos americanos em perder sua supremacia global. O gênero floresceu na década de 50, em plena guerra-fria. Na década de 60, houve alguams incursões no gênero, como 2001 uma odisseia no Espaço.
Nos anos 70, dois jovens egressos das fileiras da Universidade da Califórnia, retomavam os filmes B da década de 50, davam charme, efeitos computadorizados. Quem são eles? Steven Spielberg e George Lucas. Os dois, isoladamente, assinaram ET, Guerra nas Estrelas, produziram e apoiaram projetos de aventuras extra-espaciais. nquanto isso, na TV, séries como Jornada nas Estrelas arrebataram uma imensa e fiel legião de fãs.
Na década de 90, Independence Day chegou a ser encarado como uma resposta de Hollywood a ameaça de Saddan Hussein e depois do atentado de 11 de setembro, foi visto como profético por alguns observadores.
Enquanto isso, ufólogos, esotéricos e bichos-grilos, se reunem em lugares como Sedona, Arizona, ou a área 51, no Novo Mexico, para tentar manter contatos imediatos de terceiro grau. Isto porque nem todos os ETs seriam malvados como os da série Alien. Que o digam as revistas em quadrinho: Super-Homem nada mais é que o ET Kal-El, vindo diretamente de Kripton para salvar o mundo de ameaças malignas como Lex Luthor.
Monte Santo: a fé na terra que inspirou Glauber Rocha


O sertanejo é antes de tudo um forte, disse Euclides da Cunha em Os Sertões, e no agreste baiano, a força do sertanejo vem da fé. Em meio a um cenário tipo “até o fim do mundo”, o santuário de Monte Santo, cerca de 500 km de Salvador, atrai devotos dos mais diversos pontos do estado que, todas as sextas-feiras santas, refazem a Via Sacra lembrando os últimos momentos da vida de Cristo.



Maria de Fátima Dannemann

(especial para o grupo Ser Natural)



Quatro horas da manhã. Barulhos esquisitos acordam o forasteiro em plena madrugada. São as matracas, instrumentos de percussão, que acordam a cidade. Sua musica esquisita significa que está na hora de subir o morro descoberto pelo Frei Apolônio de Todi, no século XVIII e refazer os passos de Jesus. Lá no alto, as imagens do Senhor Morto e de Maria esperam os fieis para descer em procissão umas cinco ou seis horas mais tarde. Monte Santo é uma cidade pequena, pobre, com o pior índice de analfabetismo do estado da Bahia, e sequer lembrada como centro de turismo. Somente na Semana Santa é que recebe os romeiros, muitos deles vindos de cidade próxima.

O cenário é exótico na região. O típico agreste baiano com muitas espécies de cactos, arbustos, algumas arvores maiores. Nesse cenário, famílias e mais famílias de lavradores lutam contra a seca para garantir seu pão de cada dia. Perdido na caatinga, o frei italiano achou semelhanças entre a Serra de Piquaraça, que passa nos limites da cidade, e o Calvário, onde aconteceu a crucificação. Desistiu de procurar a paróquia para a qual foi destinado, ficou por ai e construiu as 25 capelinhas representando as estações da via sacra, e três delas maiores dedicadas ao Arcanjo Miguel, Nossa Senhora das Dores e Santa Cruz, ponto final da caminhada no alto do morro.



Ervas e lendas


O interior parece não se contaminar por mordenismos high-tech e algumas lendas e tradições resistem às viradas de século. Uma delas é a de pegar velas acesas na capela do arcanjo Miguel e guardar em casa. Em noite de trovoada, acender essas velas será garantia que nenhum raio vai cair em casa. É isto o que fazem senhoras mais idosas, as que fazem a caminhada no seu próprio ritmo, ou as que simplesmente acreditam que “o que vale é a intenção” e simplesmente sobem apenas algumas estações esperando a procissão para descer com as imagens. Uma delas contou que “minha filha é agoniada. Quando roncava trovoada que cai os coriscos, ela ficava azuadinha. Me ensinaram para acender a vela de São Miguel. Eu acendi e ela nunca mais se agoniou”.

Outras pessoas catam ervas e enumeram seus poderes mágicos e/ou medicinais. Uma serve para “afugentar coisa ruim”, outra serve para “curar espinhela caída”, tem as que baixam feres, curam dores, etc. Todas crescem no morro por livre e espontânea vontade da natureza e a mulherada da região, especialmente as mais velhas, juram que esta é a prova, “que deus andou por aqui mesmo”. Pode ser ou não. O frei comparou o morro ao Calvário, mas o sofrimento lá é humano. Professores, há três anos, recebiam apenas R$20,00 de salário. Como os poucos professores graduados do local se filiaram à instituição da classe, o governo resolveu bloquear os salários. Há dois anos eles ainda brigavam na justiça para receber os atrasados, mas, surpreendentemente, continuavam dando aulas.

O transporte mais visto por lá ainda é o pau de arara, e é nas carrocerias de caminhões que crianças e adolescentes vão a escola, numa cortesia da prefeitura municipal. Claro, não há segurança, e os motoristas simplesmente voam pelas estradas muitas delas sem asfalto. Turismo, zero a esquerda. Não existe infra-estrutura. Mas, intelectuais e estrangeiros se sentem atraído pelas histórias que cercam o lugar, e numa dessas, Glauber Rocha fez de Monte Santo cenário de seus filmes. Uma estátua de Antônio Conselheiro lembra que o líder de Canudos andou por lá. E é tudo. A cidade gira em torno da espera pela sexta-feira da paixão, e depois que a procissão desce, tudo é permitido. A vida volta ao normal e jovens e adolescentes sentam-se nos bares para tomar uma cervejinha rompendo o aleluia por conta própria. “Subi ao morro, rezei, voltei. Paguei meus pecados e agora estou com lucro até o ano que vem”, dizem os rapazes, sinal de fé para quem “pena” o ano inteiro na terra do sol.



Poltergeist, enquanto não é tempo de procissão


Dizem que foi por causa da guerra de Canudos. Pode ser, pode não ser, mas o fato é que histórias fantásticas rondam a região entre Uauá, Canudos, Euclides da Cunha, Monte Santo, Massacará e outras cidades. São casos estranhos, como o de uma mulher que mora em uma cidade e ouve tudo o que conversa na outra. A história de um menino que teria desencadeado poltergeists no sítio dos pais, e rios secos que jorram sangue em Canudos.

Claro, se alguém perguntar, ninguém sabe, ninguém viu e tudo morre no “dizem, mas eu não sei não.

Um dos casos ganhou destaque a nível nacional ao ser apresentado no Fantástico, Rede Globo, e aconteceu em 96. Num povoado próximo a Euclides da Cunha, 38 km de Monte Santo e 470 km de Salvador, colchões foram queimados misteriosamente, visitantes receberam pedradas, e ovos apresentavam sangue em vez de clara e gema ao ser quebrado. O fotografo Walter Carvalho percebeu vultos ao entrar na casa assombrada, e a repórter recebeu um puxão no cabelo. Antes disso, o prefeito da cidade por pouco não foi atingido por pedras atingidas pelo “espírito”.

Segundo os moradores locais, era Romãozinho. O espírito de um menino mal que se manifesta, de tempos em tempos, em famílias esquisitas. “O tio é casado com a sobrinha, ai Romãozinho está castigando”, diziam os moradores próximos. Um garoto de 13 anos, filho do dono do sitio, seria o epicentro do problema (o médium que desencadearia o fenômeno) segundo os diversos espiritualistas, religiosos e parapsicólogos que foram pesquisar o fenômeno. A igreja católica não se manifestou. O padre disse na época que não havia necessidade de ir até lá, “é tudo imaginação”. Mas, o povo contra-atacou: “ele está é com medo”.

Monday, June 02, 2008



Santa Gioconda do Chega salva novela

Fatima Dannemann

Hoje, Marilia Pera deve dormir feliz. Com o final de Duas Caras, ontem, ela não só confirma seu status de uma das melhores atrizes brasileiras, como vê sua Gioconda, rica, chiquérrima, politicamente correta salvar a novela. Sim, salvar. Em um monte de clichês e equívocos, Marilia foi um destaque absoluto e conseguiu elevar sua personagem de mera coadjuvante a uma protagonista por direito. A isso, atribuem-se dois fatores: competência e experiência. Coisas que Marjorie Estiano e Debora Falabela poderão vir a ter daqui a muitos anos. Ou não.

Sem cast - outras emissoras roubaram faces carimbadas nas novelas - a Globo investe em caras novas. O resultado as vezes é desastroso e no caso da novela de Duas Caras apenas morno. Débora Falabela não convenceu como a rebelde sem causa que desafiou a familia, casou com um pobre e foi morar na favela. Virou uma dona de casa de classe média se divindindo entre familia e profissão. Sem nada demais. Marjorie Estiano foi anunciada como a atriz principal mas… Que protagonista é essa que passava dias sem aparecer e não fazia falta?

Marilia brilhou. De perua viciada em comprimidos e calmantes dos primeiros capítulos, virou uma pessoa indignada com a violência, contra os problemas socio-economicos. O discurso no dia da batalha de Juvenal Antena contra o traficante de outra favela comoveu. A atriz aproveitou a ficção e mostrou verdade sobre um dos piores problemas da sociedade brasileira hoje, a violência.

Ainda bem. Não fosse Marilia Pera, teríamos uma vilâ cheia de botox e caretas transformada de menina doce e equilibrada dos primeiros dias de novela, numa assassina, ninfomaníaca e detraquê dos ultimos capitulos. Se não fosse Gioconda mostrando que os ricos - que detem boa parte do PIB brasileiro - sofrem problemas graves, teriamos apenas uma favela fake, com um chefão achando que era rei, sentando em trono, extorquindo comerciantes, mantendo reféns em carcere privado e trocando favores com delegados. Pior: Juvenal Antena acabou ileso e impune. Como se fosse um santo. Evilásio, eleito com as bençãos do padrinho (seria referencia ao filme The Godfather, conhecido entre nós como O poderoso chefão?), quietinho como se assinasse embaixo tudo o que acontecia na Portelinha.

Pior cena foi Célia Mara e Branca - antigamente conhecidas pelos nomes de Nazaré Tedesco e Maria do Carmo Ferreira, inimigas mortais - terminarem a história como amigas de infancia. Ou, Maria Paula fazendo exatamente o que Ferraço fez: roubado tudo e fugido. Ah, e Marconi Ferraço, único vilão que se arrependeu e se redimiu, foi o único que foi punido. Enquanto que Bia Falcão, ops, Silvia foi vista em Paris com marido e amante.

Agnaldo Silva, autor, entre outras novelas de Tieta, Fera Ferida e Senhora do Destino. Deve uma história melhor. Duas Caras? Apenas mais uma novela. Mesmo com Marilia Pera.

Sunday, May 25, 2008



Tudo sobre novelas

Fatima Dannemann

Mesmo que uns critiquem, as telenovelas viraram mania nacional a tal ponto que são assuntos de livro. O mais novo deles foi lançado este ano pelo analista de sistemas catarinense radicado em São Paulo, Nilson Xavier. Desde pequeno ele coleciona curiosidades sobre novelas e no ano 2000 criou o site teledramaturgia.com que cresceu tanto que seus visitantes começaram a cobrar um livro sobre o assunto. Ele produziu Almanaque da Telenovela Brasileira, que foi lançado pela Panda Books e virou destaque nas livrarias do país, e reúne histórias, curiosidades e muitas fotos sobre novelas de todos os tempos desde os anos 60 quando foi lançada 24499, ocupado, a primeira novela diária do pais..

Pudera. Até quem nunca viu novela e vira a cara para este assunto não pode negar que essa mania nacional já virou assunto de pesquisas acadêmicas e não só livros de lazer como alguns mais “sérios” resultantes de pesquisas acadêmicas, sem falar inúmeras biografias e memórias de artistas, diretores e gente de televisão onde as novelas fazem parte do enredo. O livro de Nilson é mais “relax” do que alguns outros que relatam desde a primeira novela brasileira, Sua Vida me pertence, dos anos 50, exibida apenas duas vezes por semana. E o grande trunfo é o visual. Além das fotos e reproduções de cartazes, discos e capas de revistas, tem infográficos, listas e quis. Ou seja, um livro para ler numa sentada, quem sabe até num avião, durante um vôo doméstico mais longo.

A pesquisa realizada por Nilson Xavier é primorosa. Ele fez, por exemplo, uma lista dos sósias e gêmeos de novelas desde Alma Cigana (e outras mais antigas), passando por Luana Câmara e Priscila Caprice de Sétimo Sentido até chegar em Paula e Tais de Paraíso Tropical, sem esquecer as inesquecíveis Ruth e Raquel das duas versões de Mulheres de Areia, talvez o par de gêmeas mais famoso de toda a teledramaturgia brasileira, interpretado da primeira vez por Eva Wilma e da segunda por Gloria Pires (magistralmente, aliás).

Um capítulo interessante do livro é o que o autor lembra antigos mistérios como quem matou Salomão Hayala em O Astro, quem eram vítima e assassino em O Rebu (uma das mais criativas telenovelas brasileiras, mas uma das menos compreendidas, também) e outros mistérios como quem era o Leão em Deus nos Acuda, ou quem explodiu o shopping center de Torre de Babel. Ele também conta a respeito de mortes reais enquanto as novelas estavam sendo gravadas, como a do ator Jardel Filho enquanto a Globo exibia Sol de Verão, nos anos 80, ou, mais recente, a da atriz Daniela Perez, assassinada pelo colega Guilherme de Pádua, ambos do elenco de De Corpo e Alma.

O livro está longe de ser aleatório. Nilson apresenta o resultado de uma ampla pesquisa em que não falta bibliografia. Entre os livros consultados, aliás, está um dos mais famosos exemplares sobre o assunto até então: Memória da Telenovela Brasileira de Ismael Fernandes, em que titulo, elenco, sinopse e um breve comentário de todas as novelas exibidas desde 24599 ocupado, estão listados. Sendo a edição mais recente de 1997. O livro de Nilson ganha pontos extras por causa das imagens e fotos, mas o livro de Ismael é uma fonte valiosa de pesquisa ainda mais nos tempos em que as TVs, talvez numa crise de criatividade, resolvem apelar para remakes e continuações como a Globo está fazendo com Ciranda de Pedra e a Record com Caminhos do Coração. Nos livros, talvez o espectador descubra como fazem falta autores como Janete Clair, Ivani Ribeiro, Dias Gomes ou Cassiano Gabus Mendes. Mas isso é outra história.

Serviço

Titulo: Almanaque da Telenovela Brasileira
Autor: Nilson Xavier
Editora: Panda Books
Preço: em torno de R$50,00

Sunday, May 18, 2008



Como se pessoas fossem borboletas: e “O Colecionador” faz história

Fatima Dannemann

As vezes, a ficção pula para a realidade e de forma cruel. Não são os sonhos que se concretizam mas os pesadelos, toda a bizarrice que o ser humano sufoca. Assim, em meio a um ano negro numa década de surpresas desagradáveis, o mundo acorda perplexo com a noticia de um pai que manteve a filha 24 anos presa num porão. Isso aconteceu de verdade, na Áustria, mas uma história parecida fez furor nos anos 60, o romance O Colecionador, de John Fowles, transformado em filme pelas mãos de um dos mais festejados diretores hollywoodianos, William Wyler, com um darling da época, Terence Stamp, no papel principal.

O livro – nem tente encontrar em nenhuma livraria, a única edição recente é de uma coleção vendida nas bancas nos anos 80 e você terá sorte se achar algum exemplar em algum sebo – é neurótico, cruel, bizarro, mas é o tipo da leitura que prende atenção do primeiro ao último capítulo. O leitor acompanha toda a frieza psicótica de Freddy, um colecionador de borboletas apaixonado por Miranda – não é assim que ela se chama, mas é assim que ela é chamada por ele – ao preparar o porão de sua casa para aprisioná-la tudo porque ela nunca correspondeu a seu “amor”, mas acompanha também todo o sofrimento de Miranda ao descrever minunciosamente cada dia no cativeiro.

Se em livro, temas como seqüestro, cárcere privado, tortura psicológica, já causam espécie, ao vivo e a cores, esses fatos chocam. Amstettel, na Áustria, deixou o mundo assustado. Durante 24 anos, o engenheiro Josef Fritzl abusou sexualmente e manteve presa no porão de casa sua filha Elisabeth e três dos sete filhos que teve com ela. Os outros quatro, um morreu ao nascer e foi incinerado pelo pai no sistema de aquecimento da casa. Os outros três foram adotados pelo engenheiro e sua esposa. Foi preciso sua filha-neta Kerstin adoecer gravemente e precisar de hospital para que os crimes de Fritzl viessem a tona. Pelo menos, Elizabeth, seus sete filhos-irmãos e sua mãe tiveram final mais feliz que a Miranda do livro de Fowles que morre antes de ser libertada.

Não foi a primeira vez que a Áustria viveu um problema deste tipo. Natascha Kampush levou oito anos presa num cativeiro nos arredores de Viena e há dois anos conseguiu fugir. Mas, o criminoso não era seu pai. Pelo menos. Porque o que se vê nas páginas de jornais brasileiros são pais e mães aprisionando os filhos muitas vezes porque eles comeram fora de hora ou bateram nos filhos do vizinho. Revistas noticiaram recentemente o caso de um rapaz trancafiado por 15 anos em Goiás por sofrer de problemas mentais. Para a mãe, pobre e quase analfabeta, esse seria o único jeito de controlar os transtornos do menino que se tornou obeso, arredio, com problemas renais. Segundo declarações da mãe da criança: ou ela prendia o filho numa cela em sua própria casa ou teria que interná-lo num hospital, o que ela achava mais cruel.

Na ficção, pelo menos em novelas, cárceres privados têm sido vistos não só em cenas de seqüestros. Muitos deles por motivos fúteis como o que aconteceu com Petrus, na novela Duas Caras, seqüestrado por Waterloo, capanga de Marconi Ferraço por vingança amorosa: Andréia, irmã de Bijuzinha, namorada de Petrus, dá a entender ao capanga que o menino era namorado dela. Waterloo não gosta e seqüestra o garoto só para fazer ameaças e pressioná-lo a deixar de se relacionar com as moças.

Outras vezes, pessoas viram borboletas na mão de maridos que se sentem desprezados como o Freddy (chamado de Caliban por “Miranda”, numa referencia aos personagens da peça de Shakespeare A Tempestade) e a Globo vem repetindo a fórmula como se esse circo dos horrores fosse o supra-sumo da teledramaturgia. Aconteceu em Desejo Proibido, onde “Miranda” era Ana, o carcereiro seu ex-marido e o porão uma caverna junto a gruta da Virgem de Pedra. Agora se repete em Ciranda de Pedra, onde Daniel Dantas é o marido cruel que tranca a esposa doente (Ana Paula Arósio) num sótão alegando que ela está sofrendo de problemas mentais. Seja como for, pessoas não são borboletas, a prova é o que vem acontecendo com Elizabeth e seus filhos que após saírem do porão estão sendo tratados não só por causa de problemas de saúde física como por conta de todos os traumas psicológicos sofridos.

Quanto ao livro de John Fowles, O Colecionador é um livro que arrebata e prende atenção, daqueles exemplos em que você lê uma vez e é capaz até de lembrar as palavras, anos e anos depois de ter lido. O filme, hoje cult, causou furor em 1965 com as interpretações de Terence Stamp – por onde anda ele – e Samanta Eggar no papel de Miranda. Pode ser que em alguma locadora seja encontrada a versão em DVD. Mesmo com todo horror que seqüestro e prisão particular provoquem na vida real, o filme e/ou o livro valem a pena como forma de podermos dimensionar o horror que Miranda deve ter sofrido. Ou as borboletas que muitos insistem em colecionar mantendo-as trancafiadas em frascos de vidro.



Fatima Dannemann – DRT-Ba 786

Sunday, May 11, 2008



Tragam o sonho de volta…

Fatima Dannemann

- É fim de mundo… Arthur é quem diz isso num e-mail. Colega, nem tão velho, nem mais velho do que eu, ele traduz o que eu venho sentindo há algum tempo: é fim de mundo e enganaram todo mundo. Não há sonhos, nem era de aquárius, nem new-age, nem era de paz. Paz? Que paz? Um pai e uma madrasta matam a filha. Outro trancafia a filha 24 anos para abusar sexualmente dela. Um doido quer implodir o Cristo Redentor. Ah… Onde está a era de sonho que tanta gente pregou?

Pois é… Nem meditar adianta: o Tibet virou uma praça de guerra. O espírito esportivo foi queimado na tocha da vaidade e das diferenças. As Olimpiadas de Pequim viraram motivos de discórdia. Acho que a pomba da paz pegou o ônibus espacial e foi voar em outra galáxia pois com certeza se jupter se alinhou com marte não foi com a lua na sétima casa. Ou então, movimentos astrais também dão zebra. Paz? Nem na música de Gilberto Gil que, aliás, depois que virou ministro anda cantando cada vez menos.

Gente, tragam o sonho de volta. Por onde olho, vejo pessoas ressentidas, deprimidas, rancorosas. As tensões ganharam do ar mais despojado: tudo vira motivo de briga. Tudo é disputa. O ser humano resolveu levar o ego as últimas consequencias. “Meu celular, meu computador, meu carro, minha auto-estima.” Aparências, simbolos, padrões, uma série de medidas a serem seguidas: indices de massa corporal, altura, peso, cintura. Ficou feio ter perna grossa, cabelo cheio ou cacheado. É o padrão. Que padrão?

Já não se sonha mais. Sonhos são contra regras do empreendedorismo, não se estudam em cursos de MBA, já não são sequer temas de música. A regra é ter o pé no chão, saber calcular custos-beneficios. “Não viaje”… É só o que se ouve por ai. Ninguem manda mais postais, ninguem manda mais recados: envia e-mail, deixa recado no orkut. É assim. Todo mundo faz assim. “hum? não acredito, você não tem celular?” isso é quase ser de outro planeta.

Precisamos do sonho de volta. A vida anda chata. Coisas estranhas acontecem. Precisamos do direito de comer pipoca na rua, ou até cachorro quente, sem preocuparmos com o tanto de calorias, gorduras trans… Ah, se foi o tempo em que ninguem se baseava tanto em pesquisas feitas em esquimós até porque as roupas P, M, G eram P, M, G - hoje tem todas o mesmo tamanho e só estarão na moda se pintarem na tela da Globo.

Com certeza é fim de mundo. Enlataram o ser humano num circo dos horrores em que pai mata filho, madrastas se mostram más como a bruxa da maçã, não é preciso ter uma boa formação escolar: qualquer pessoa pode ter diploma de graduação, pós, mba. Mas o ser humano não é leão pra ficar em jaula, nem sardinha para ficar em lata. E sonhar? Está ai uma coisa que ninguem proibe ou aprisiona. Quem sabe, e o velho sonho da música do velho grupo The Mamas and Papas volte as paradas. Quem sabe…

Friday, May 09, 2008



Por dentro da grande mesquita - ou quase…

Não dá para entrar na grande mesquita de Kaiouran, Tunisia, que, dizem, é o lugar mais sagrado do mundo Islâmico no Norte da Africa e teria sido fundado pelo próprio Mahome.

Mas dá para ver como é. Simples. Despojado.

Para nós, ocidentais, é impossivel entrar lá porque somos considerados “infieis”. E mesmo os mulçumanos precisam passar por alguns rituais e preparativos antes de adentrar o recinto.

Mas vale a experiencia. A energia sagrada é forte. Dá para sentir que os mulçumanos são do bem… Ah, e existem terroristas cristãos, sim. Só que a mídia não divulga.